#10 Simão Melhôr – “Trabalho” é a palavra chave para o sucesso

Com apenas 18 anos, assume a lateral esquerda do AR São Martinho no Campeonato de Portugal. Apesar de pertencer ao plantel desde a temporada passada, Simão Melhôr pegou de estaca no conjunto nortenho esta temporada e assume-se, por esta altura (até à paragem forçada das competições), como dono e senhor do lugar, na sua época de estreia como futebolista sénior.

O jovem formado no Moreirense, saiu do clube de Moreira de Cónegos, com 14 anos, depois de ter sido capitão em todos os escalões de formação por onde passou. Começou por ser defesa central, fazendo apenas a transição para lateral esquerdo na sua última época pelo clube verde e branco.

Do Moreirense saiu para o São Martinho, clube que ainda hoje representa. Decisão difícil, mas que considera ter sido a melhor para a sua progressão. “Na altura foi uma decisão muito difícil para mim porque implicou deixar o clube da minha terra e que representei durante nove anos. Um dos meus treinadores atuais, o ‘mister’ André, foi uma das peças fundamentais para esta mudança, visto que já havia sido treinado por ele no Moreirense e fez-me sentir que poderia ser mais valorizado no São Martinho. Acabei por fazer aqui os restantes anos de formação e estar no plantel sénior ainda com idade de júnior, o que é uma ótima oportunidade de crescimento”, começa por dizer ao 100 oportunidades.

Dada a minha idade considero-me um jogador inteligente, agressivo e combativo

Simão Melhôr (AR São Martinho)

Com nome de craque, Simão avalia-se como um “jogador inteligente e de características mais defensivas, sendo muito forte a nível de posicionamento”, juntado a isso agressividade e combatividade. “O cruzamento é outra característica que considero uma mais-valia em mim. O meu jogo interior é um dos aspectos que tenho vindo a tentar melhorar”, confessa.

Com mais de 20 jogos realizados esta temporada, o lateral minhoto diz que o principal segredo é o trabalho. “Trabalho no máximo, todos os dias, para isto ser possível. Obviamente que sem uma oportunidade também não seria possível. No início desta época não jogava, mas depois de um momento menos bom da equipa o ‘mister’ Agostinho entendeu que deveria dar-me uma oportunidade e eu aproveitei-a e tento dar sempre o meu melhor em prol da equipa”, frisou.

Muita gente não tem noção da competitividade e potencial do Campeonato de Portugal

Simão Melhôr (Ar São Martinho)

Apesar de ser o seu primeiro ano como sénior, Simão já faz parte do plantel desde a época transata e, também por isso, admite que a sua adaptação foi mais tranquila.

Simão somou 20 jogos no Campeonato de Portugal

Quanto ao Campeonato de Portugal confessa que ainda é muito desvalorizado. “O facto de treinar com o plantel sénior desde o ano passado ajudou muito na minha adaptação. O plantel desta época é muito parecido ao da época passada e mantenho o bom relacionamento com os meus colegas. O facto de ser o mais novo faz com que se metam mais comigo e isso ajuda a criar um bom ambiente no grupo. Jogar regularmente faz com que a exigência seja maior para estar sempre ao mais alto nível. O Campeonato de Portugal é uma competição muito exigente onde jogam muitos bons jogadores à espera de uma oportunidade para ‘voar mais alto’, assim como outros que já estiveram em patamares mais altos e agora estão aqui. É um campeonato ainda muito desvalorizado por algumas pessoas que não têm noção da competitividade e potencial desta competição”, atira.

Dedico-me ao futebol a tempo inteiro. Quero seguir carreira como futebolista profissional

Simão Melhôr (AR São Martinho)

Embora seja estudante, o defesa esquerdo deixou de frequentar as aulas para se dedicar única e exclusivamente ao futebol, com objectivo de seguir uma carreira profissional. O facto de ser defesa esquerdo, uma posição com alguma carência de jogadores, pode ser um ponto a favor, mas Simão, reforça a ideia de que o trabalho é o ponto essencial. “Como já referi anteriormente, é uma questão de oportunidades e trabalho. Mesmo sendo uma posição com carência de jogadores é preciso trabalhar para que se possa chegar o mais longe possível. Eu trabalho para que um dia que surja a oportunidade de chegar a patamares mais elevados eu seja capaz de corresponder. Mas isso, só o tempo dirá se irá aparecer ou não”, afirma.

Alguns dos melhores momentos do defesa no AR São Martinho

Com o campeonato parado, Simão mantém a sua forma física em casa já com vista a próxima temporada. “Como o campeonato foi cancelado estou a tentar manter-me em forma com vista a preparação já da próxima época. Obviamente treinar em casa não é a mesma coisa, principalmente a nível de condições de treino, mas temos que ser capazes de aproveitar ao máximo as condições que temos. Quanto ao plano de treino, um colega de equipa, que é Personal Trainer fez-me um plano. A partir daí, fiz algumas adaptações e tento segui-lo. Tenho também aulas online que por vezes faço para mudar um pouco a rotina”, confessa.

Na minha idade o mais importante é evoluir. Sonho um dia jogar na Seleção Nacional e na Premier League

Simão Melhôr (AR São Martinho)

Apesar dos seus 18 anos, Simão Melhôr já teve propostas de outros clubes. Ainda assim entendeu que não era a altura certa.

“Já tive alguns contatos, mas achei não ser o momento ideal para mudar. Na minha idade o mais importante é evoluir e a melhor forma para isso acontecer é jogar. No São Martinho estava a jogar, já enquadrado com a equipa e tinha todas as condições reunidas para poder evoluir. A nível pessoal, neste momento, o meu sonho seria chegar à Liga NOS e representar a Seleção Nacional. Chegar à Premier League é outro sonho que eu e a minha mãe partilhamos. Portanto, concretizar, nem que seja um deles, já seria ótimo. Tenho noção que ainda tenho um caminho longo pela frente, mas trabalho diariamente para atingir os meus objetivos”, disse o jovem.

Quando somos mais novos todos queremos ser como Ronaldo e Messi, mas à medida que crescemos percebemos que isso não é possível

Simão Melhôr (AR São Martinho)

Com os sonhos bem definidos, Simão mostra que tem os pés bem assentes no chão para o que será no futuro a sua carreira.

“Quando somos mais novos todos queremos ser como o Ronaldo e o Messi mas, à medida que crescemos, percebemos que isso não é possível. Sempre os admirei, assim como o Marcelo, mas as suas características são muito diferentes das minhas. Por outro lado, já houve alturas em que duvidei da minha capacidade de vir a tornar-me jogador sénior e, no entanto, já consegui fazê-lo ainda com idade de júnior, por isso posso dizer que, de certa forma, até já ultrapassei as minhas expectativas. Agora quero é continuar a trabalhar e evoluir para que possa continuar a minha (ainda curta) carreira”, conclui.

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