#44 Pedro Graça – O oito moderno que passeia classe em Oleiros

Esta semana damos-vos a conhecer uma das caras novas do Campeonato de Portugal. Pedro Graça tem-se destacado no meio-campo do ARC Oleiros, dando solidez à equipa e visão de jogo no momento ofensivo. O médio de 22 anos leva 11 jogos (e um golo) pela equipa da Beira, com uma exibição de encher o olho frente ao Gil Vicente para a Taça de Portugal.

Uma vida em Vila do Conde

Nascido em 1998, Pedro Graça começou por ingressar nas escolas de futebol do ADCR Caxinas. Em 2010/11 integrou a equipa de sub-13 do Rio Ave, onde ficou até… à época passada. Foram cerca de dez temporadas a representar o clube de Vila do Conde, emblema da sua terra natal.

A mudança para a Beira Interior, numa decisão que o colocou fora da sua zona de conforto, foi drástica no começo, mas proveitosa com o passar das semanas: “Confesso que ao início foi um bocado complicado. Estava habituado a ter tudo em Vila do Conde, como a minha família e os meus amigos. No entanto, sinto que me fez bem porque me ajudou a crescer tanto a nível profissional como pessoal, já que me vi num ambiente completamente diferente e isso também me deu mais responsabilidade”, disse.

A seguir aos três grandes e ao SC Braga, o Rio Ave é um dos clubes que mais evoluiu em termos de formação. A pouca aposta no jogador da casa ainda demonstra alguma desconfiança no “produto” formado. Para Graça, não é pela falta de qualidade, que não existem mais jogadores da cantera no plantel principal:

“Penso que esteja mais relacionado com a filosofia do clube. Para mim, a formação do Rio Ave é das melhores do país e tem jogadores com muita qualidade que, a meu ver, deveriam ter mais oportunidades”, assume a 100 Oportunidades.

Num ano em que o Rio Ave criou a equipa B e também disputa o Campeonato de Portugal, o clube tinha outros planos para Pedro, decidindo “que era o momento” para seguir outro caminho. Porém, voltando uns anos atrás, o jogador recorda com nostalgia algumas memórias marcantes.

Pedro Graça participou na Liga Revelação em 2019/20

“Um dos momentos mais marcantes para mim ocorreu no meu primeiro ano de juniores. Uma época em que lutámos pelo título nacional, fizemos uma grande época, mas que acabámos por não o conseguir. Desse ano também posso tirar uma história do dia em que fomos jogar no Olival, contra o FC Porto. Ao intervalo, estávamos a ganhar por 1-0, e o diretor da formação pediu para meter uma música que costumávamos ouvir antes dos jogos. Adivinhem… acabámos por perder 5-1″, explica entre risos.

Do Litoral ao Interior, de Vila do Conde a Oleiros

As amizades, no futebol e na vida, são muitas vezes fatores determinantes para as nossas escolhas, decisões ou até, como neste caso, intermediações. Para Pedro Graça, não foi diferente. Rumar ao Oleiros foi escolha fácil, tendo em conta a conversa com o treinador:

“Escolhi o Oleiros, uma vez que, fui contactado pelo atual treinador (Fábio Pereira), e fiquei agradado com a sua ideia de jogo. O convite surgiu porque fui indicado pelo meu amigo e jogador do Salgueiros, Zé Domingos, que já havia sido treinado por ele no União da Madeira.”

A vila de Oleiros é mais tranquila do que aquilo a que eu estava habituado. As pessoas são muito simpáticas e dão tudo pelo clube da terra

Por agora, tudo vai correndo ás mil maravilhas. O grande objetivo pessoal era jogar regularmente, conciliando vitórias com boas exibições. Pedro tem sido peça fundamental na estratégia do Oleiros, que ocupa a terceira posição da Série E no Campeonato de Portugal – dentro dos objetivos da equipa para a temporada (terminar nos cinco primeiros lugares).

Após tantos anos a viver em Vila do Conde, esta é a sua primeira experiência fora de “casa” e logo no Interior. Como se sabe, há sempre uma espécie de “preconceito” sobre ir jogar para o Interior. Em tempos de pandemia, a adaptação à vila beirã foi complicada ao início:

“Nos primeiros tempos foi um grande choque. Tive de me habituar a uma realidade completamente diferente, até porque a vila de Oleiros é mais tranquila do que aquilo a que eu estava habituado. No entanto, as pessoas são muito simpáticas, receberam-nos muito bem e dão tudo pelo clube da terra.”

As diferenças entre campeonatos, o futuro profissional e as referências

Mais uma mudança, mais um choque. Para um jovem de 22 anos, que apenas tinha jogado em escalões com limites de idade, alcançar o Campeonato de Portugal é como finalmente “jogar com os meninos crescidos”, diz o próprio: “Nesta competição, as equipas são mais maduras e considero o jogo mais agressivo. Por outro lado, na Liga Revelação, as equipas tentam jogar mais à bola, ao mesmo tempo que são mais débeis taticamente”.

Ficaria contente com qualquer uma das opções, mas preferia jogar no estrangeiro

Ao contrário de grande parte dos jovens, que têm o sonho de alcançar o patamar mais alto do futebol português, Pedro tem uma resposta curiosa… “Sinceramente, ficaria contente com qualquer uma das opções. Porém, admito que preferia jogar no estrangeiro”, afirma.

Qualquer jogador tem as suas preferências. João Moutinho é a referência nacional de Pedro Graça na sua posição. E quando questionado sobre o treinador que mais o marcou, também não teve dúvidas. “O meu treinador atual, Fábio Pereira, visto que consegue conciliar a exigência com a descontração” – eis a chave do sucesso.

RAIO X

PASSE, VISÃO DE JOGO E REMATE

Sendo um médio centro, com características de um oito moderno, Pedro considera-se “mais ofensivo”, no entanto também é capaz de desempenhar um papel mais de contenção quando necessário.

Foto principal: retirada do Instagram pessoal do jogador

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