#39 João Sidónio – A cara do projeto e da filosofia do Mirandela

Esta semana damos-vos a oportunidade de conhecer o percurso de João Sidónio. O defesa central do Sport Clube de Mirandela está presente na equipa da semana da Série A do Campeonato de Portugal e é um dos jovens valores desta competição.

De Fafe a Mirandela, passando por Braga e Famalicão

Uma (ainda) curta carreira, porém, com estadias proveitosas sempre pelo norte do país. João Sidónio iniciou o seu processo de formação em Fafe – terra natal – no “humilde” Desportivo Ases de S. Jorge. Depois seguiu para a Casa do Benfica da Póvoa de Lanhoso, onde, a cerca de vinte quilómetros da capital de distrito, captou a atenção do scouting do SC Braga. O jovem relembra esse momento com nostalgia:

“Ao fim de três anos, surgiu a oportunidade de ir treinar ao Sporting de Braga, por intermédio de um senhor chamado Eduardo. Foi, sem dúvida alguma, um motivo de felicidade para mim, apesar de o Braga não ser o que é hoje, já era um clube com uma grande dimensão em Portugal!”

Grande parte das crianças em Portugal “jogam à bola” por simples divertimento. João, desde cedo que ambicionava singrar no mundo do futebol. O modo como olhava para o empenho dos pais, fazia-lhe pensar mais além. “O facto de ter desde cedo a noção do esforço dos meus pais, que me levavam praticamente todos os dias de Fafe a Braga, fez com que eu percebesse que isto não era apenas um passatempo, mas sim algo em que teria de me esforçar para conseguir chegar o mais longe possível”, explica a 100 Oportunidades.

Sidónio tinha como grande objetivo jogar na equipa principal dos arsenalistas. As condições de treino dos escalões de formação da maioria dos clubes nacionais em 2011, não eram as que são hoje. A evolução é notável, desde então, e o Braga não é exceção. Ainda assim, o jovem central recorda esses tempos com valor:

“O Braga não era, de todo, o que é hoje. Equipávamos no velhinho 1º de Maio e treinávamos nas Camélias. Para irmos treinar, tínhamos que andar quase um quilómetro a pé, muitas vezes debaixo de tempestades e carregados de material. Hoje em dia já não é assim, mas mesmo com estas condições, éramos felizes com o pouco que tínhamos.”

São pouco regulares os empréstimos de jogadores em idade de juvenil, mas os “guerreiros do Minho” tinham esse hábito. E com alguns casos de sucesso. Em 2014/2015, todos os atletas da geração de 99 foram cedidos ao Palmeiras FC – clube satélite do Braga. E precisamente nesse ano, um rapaz de seu nome Francisco Trincão “começou a despontar”.

João Sidónio, também ele cedido ao Palmeiras FC, olha para esse empréstimo como algo benéfico na sua evolução. “Cresci imenso nesse ano. Jogávamos contra jogadores mais velhos, o que nos obrigava a dar mais de nós para não se notar muita diferença.”

Do início atribulado à confirmação da qualidade como sénior

Depois de no último ano de formação ter integrado os juniores do Gil Vicente, motivado pela falta de espaço em Braga, eis que dá o salto para a roda das “velhas raposas”. Porém, nem tudo foram rosas.

“O meu primeiro ano de sénior foi muito difícil. Começou da melhor maneira na AD Oliveirense, onde estava a jogar com regularidade, até chegar uma SAD que nos “despejou” a todos. Estive três meses sem jogar, sem clube… Entretanto, surgiu o São Martinho, onde não joguei muito, mas tive a felicidade de encontrar uma equipa recheada de experiência e qualidade que me ajudou imenso a crescer como jogador e como homem”.

Na época passada, esteve ao serviço da equipa de sub-23 do FC Famalicão onde participou em 12 partidas. O regresso ao CP, surgiu pela mão de Rui Borges – treinador do Mirandela para esta temporada – que o pôs a par do projeto do clube e o convenceu a voltar à “montra incrível que é este campeonato”.

Porquê Mirandela?

João Sidónio recebeu a proposta e não pensou duas vezes. A “filosofia muito própria”, aliada à imagem lutadora e humilde que as pessoas do clube transparecem para o lado de fora, bem como o ambiente que propicia a projeção de jogadores pesaram na decisão:

“O facto do Mirandela ser um clube que projeta muitos jogadores para outros níveis influenciou bastante a minha decisão”

Os alvinegros são sinónimo de juventude e qualidade. Com uma média de idades a rondar os 22 anos, nem isso tira o sono aos transmontanos. “Ter um plantel jovem não influencia em nada, porque somos jogadores à imagem do clube. Sempre com muita vontade de trabalhar e cheios de ambição, pois todos nós sonhamos com palcos ainda maiores”, confessa o jovem.

O objetivo do Mirandela passa por ficar nos cinco primeiros lugares da tabela, mas sempre jogo a jogo. “A experiência do nosso capitão, Corunha, também nos ajuda imenso dentro de campo. Desta forma, temos crescido todos e mais que qualquer individualidade, o coletivo tem estado muito forte e essa é a chave dos bons resultados até ao momento”.

RAIO X

João Sidónio

Em oito jogos disputados esta época, Sidónio marcou por três vezes. Se tivesse que se definir numa palavra, diria “profissional”. Não se considera um central goleador, mas faz uma análise sobre si mesmo.

“Penso que os meus pontos fortes são o jogo aéreo, antecipação, leitura de jogo e maturidade – apesar de ser ainda sendo muito jovem. Para melhorar, tenho o meu pé não dominante, que estou a trabalhar, até porque jogo do lado esquerdo”.

João Sidónio, 21 anos, é um dos bons valores do campeonato mais competitivo de Portugal. Um nome a relembrar.

Fotografias do Mirandela são da autoria de Guilherme Moutinho

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