#78 João Monteiro – Um passo de cada vez

Tem 21 anos e vai encarar a sua terceira época no Campeonato de Portugal. Falamos de João Monteiro, defesa que trocou esta temporada a AD Sanjoanense pelo Gondomar SC e que promete o mesmo empenho que o fez chegar até aos gondomarenses. Para trás fica uma formação recheada de boas memórias, com olhos postos num futuro ao nível dos melhores.

Tal como muitos jogadores de futebol, João também é filho de alguém que tinha grande paixão por este desporto e chegou mesmo a jogar na 2ª Divisão B, ao serviço do SC Coimbrões. O pai foi mesmo o grande impulsionador para João arriscar numa carreira enquanto futebolista, mas as coisas nem começaram da melhor maneira.

Por volta dos cinco anos de idade, lembra-se de ter “ido treinar ao Coimbrões”, mas não gostou e disse ao pai que “não queria”. Mas como filho de peixe sabe, nós acrescentamos, e quer nadar, João foi estourando sapatilhas na escola. Segundo o próprio eram “entre um/dois pares por semana” que a mãe comprava, devido às brincadeiras da bola.

O bichinho começou a pegar de estaca no Canelas 2010, onde foi tentar a sua sorte com 10 anos.

“Sou natural de Canelas e vivo muito perto do estádio. Na altura, disseram-me que as captações eram na quinta-feira, mas na quarta-feira ouvi barulho no estádio e o meu irmão foi lá ver. Só me lembro de ele vir a correr e a gritar para eu ir buscar as botas que o treino era afinal naquele dia. Acabou por correr bem e fui selecionado para integrar a equipa que ia representar o Canelas nas competições”, começou por contar o início da sua aventura no mundo do Futebol.

MOMENTO

A passagem para defesa-esquerdo

“Comecei como ponta de lança, no Canelas, onde fiz 36 golos (futebol de 7). O mister do Boavista gostou de me ver jogar e no ano seguinte vou para lá, na altura, ainda era Boavista/AC Milan. Nos sub-13, fui para extremo e idolatrava o Cristiano Ronaldo. Nos sub-14, lembro-me de os misteres falarem comigo e lançarem a bomba de que seria bom para mim descer para lateral esquerdo.

Ao inicio acatei a ideia, mas no final da 4ª semana, andava desmotivado e há um treino que os meus pais me vão buscar e desato a chorar no carro. Dizia que queria desistir e não gostava da posição em que estava a jogar. A minha mãe virou-se e disse ‘João vamos voltar atrás e falar com o treinador’.

Tivémos cerca de uma hora à conversa com o treinador Luis Nápoles e o adjunto e eles a explicarem o porquê de me verem como lateral e que perspectivavam coisas muito boas se eu continuasse como lateral. Acabei por aceitar e os números foram falando por si. Nessa mesma época, vou à seleção distrital e desde aí fui sempre lateral.”

Uma formação de primeira linha

Se olharmos para o trajeto de João Monteiro na sua formação, a sua caminhada foi crescendo e sempre à procura da melhor solução possível. Após o Canelas 2010 foi para o Boavista, que na altura ainda mantinha a parceria com o AC Milan. É no axadrezados que passa de ponta de lança para extremo e acaba nos sub-14 por se adaptar como defesa esquerdo, que é até aos dias de hoje a posição que foi cimentando para fazer carreira.

Do Bessa viajou para Vila do Conde e é no Rio Ave que dá nas vistas para o FC Porto o ir buscar. Dois anos nos Dragões onde privou com alguns nomes que agora estão na equipa principal do emblema azul e branco como Vitinha, João Mário e Fábio Vieira. No último ano de juniores acaba por regressar ao Rio Ave, reencontrando o treinador que mais o marcou durante todo este processo.

“O mister Luís Silva do Rio foi sem dúvida o treinador que mais me marcou. Muito do que sou enquanto jogador foi ele que me ajudou. Também recordo o mister Albino Maçãs, na altura do Porto, e o mister Filipe Ramos de quando estive na Seleção. Talvez os três que mais me marcaram”, confessa.

Se a nível de clubes a sua formação foi de primeira linha, há também que destacar-se a sua presença nos escalões das seleções nacionais em sub-15, sub-16 e sub-17. É ali que vence o seu único troféu internacional, com a conquista do Torneio Internacional do Algarve. O defesa esquerdo recorda com carinho os tempos em que representou Portugal, falando de um “sentimento único”.

“Fiz a qualificação para o Europeu sub-17, onde não somos apurados por um golo. Representar Portugal é um sentimento único e inexplicável. Muitos dos melhores momentos de formação foram a representar o meu país”, frisa.

A realidade do escalão sénior

Com 19 anos, o defesa esquerdo ingressa na AD Sanjoanense para a sua primeira época como sénior. Ciente das dificuldades, João esperava “uma época difícil, porque o primeiro ano é sempre de transição”. Explica também que encontrou “um grupo acolhedor e genuíno” e talvez por isso o facto de ter jogado apenas 132 minutos na sua primeira experiência não pesou na hora de decidir continuar uma segunda temporada em São João da Madeira.

“Foi um primeiro ano difícil. Faço alguns minutos no início, mas depois não sou mais utilizado e é uma grande quebra. O jogador é pago para treinar, mas o jogar é muito importante. Fiquei na Sanjoanense porque sempre fui trabalhador e um homem para com o grupo de trabalho”, disse.

Tapado por um Gil Barros em grande forma na primeira época, João soube esperar pelo seu momento e no segundo ano, devido a um azar do seu concorrente de posição, ganhou o lugar e findou a temporada com 27 partidas realizadas. Apesar da “rivalidade” pela conquista da posição, o jovem confessa que “o Gil Barros foi se calhar o lateral esquerdo com quem mais gostei de trabalhar” devido à “cumplicidade e companheirismo” que ambos tinham um com o outro.

A boa época na AD Sanjoanense foi também para o nosso site motivo de destaque. João Monteiro foi considerado como o melhor defesa esquerdo sub-21 da sua série e numa votação realizada no Instagram acabou mesmo por ser eleito como o melhor defesa esquerdo, desta categoria, no Campeonato de Portugal.

Um fim de época que acabou por não ser totalmente perfeito, pois dentro das quatro linhas a equipa de São João da Madeira não foi promovida à nova Liga 3, algo que mais tarde foi alcançado, devido à despromoção do Leça.

Em Gondomar para cimentar

O provérbio da gíria popular “Não dês um passo maior que a perna” adapta-se perfeitamente à nova época de João Monteiro. Vendo que grande parte dos jogadores do plantel da AD Sanjoanense estava de partida, começou a procurar outros projetos e o “Gondomar pareceu uma boa opção pela sua história. Uma porta muito boa que se abriu e decidi agarrar”.

Confessa que na altura em que assinou pelos gondomarenses “já se sabia que a Sanjoanense iria ser promovida à Liga 3” e até teve propostas de outros clubes da nova competição, mas a “forma carinhosa” como foi abordado e o projeto que lhe foi apresentado convenceram o jovem natural de Canelas.

Os sonhos de um jovem passam sempre por querer crescer. Quero cimentar o caminho feito até aqui.

É no Estádio de São Miguel que João espera cimentar a sua posição no Campeonato de Portugal para, mais tarde, rumar a outras paragens. Sobre esta temporada e já com 90 minutos nas pernas – empate sem golos no terreno do União 1919 – o defesa garante que a equipa “vai entrar em todos os jogos para vencer e o plantel tem muita qualidade”. Já individualmente, os objetivos passam por crescer dia após dia.

“Os sonhos de um jovem passam sempre por querer crescer. Quero cimentar o caminho feito até aqui. Continuar a evoluir para chegar a patamares muito superiores. Tenho o objetivo de chegar à Primeira Liga e mais tarde à Premier League e jogar uma Liga dos Campeões”.

A paixão pela velocidade fora das quatro linhas

Se o futebol está no topo das suas prioridades, o desporto motorizado, mais propriamente a Fórmula 1, é algo que cativa e prende o jovem à televisão. Não perde um Grande Prémio e já viu todas as séries da Netflix sobre este tema “apaixonante”. Questionado sobre o seu piloto favorito, João gosta muito de Charles Leclerc da Ferrari, no entanto, desafiado pelo nosso site sobre em qual piloto se revê na forma de estar dentro de pista, a escolha foi outra.

“Acho que me revejo no Hamilton pela forma como ele encara cada Grande Prémio, o foco e como trabalha para garantir os objetivos. Tanto ele como a Mercedes estão num patamar diferente”, explica.

Uma paixão por carros que também faz parte do seu dia a dia na vida real. Após dois anos a trabalhar na loja Zara, em part-time, enquanto jogava pela Sanjoanense, João abriu a sua própria oficina e gere o seu horário da melhor forma para dedicar mais tempo ao futebol. Uma paixão pelas quatro rodas que vai acompanhando a sua carreira enquanto jogador de futebol.

Perguntas rápidas

Série favorita?

Brooklyn Nine-Nine.
1

Jogadores de referência?

Raphael Guerreiro e Marcelo.
2

Destinos de férias por visitar?

Indonésia.
3

Comida favorita?

Bacalhau a Brás da avó.
4

O João é um lateral de estatura média, rápido, intenso e muito ativo em todos os momentos do jogo.

É um atleta consistente a nível defensivo, sabe ocupar o espaço e é forte no desarme ao adversário.

É agressivo e intenso na pressão ao portador da bola, rápido na reação à perda, o que faz com que recupere muitas bolas rapidamente.

É um jogador que se envolve no processo ofensivo, dá profundidade pelo corredor criando alguns desequilíbrios e situações de superioridade numérica. Tem critério com bola, sabe criar linhas de passe, tanto à largura como em zonas mais interiores e tem qualidade na definição a nível do passe e cruzamento.

O João é um jogador que poderemos ver brevemente jogar noutros patamares.

NOMEJoão Pedro Monteiro de Oliveira
DATA DE NASCIMENTO03/07/2000
POSIÇÃOLE
PÉ DOMINANTEEsquerdo
EQUIPAGondomar SC
NACIONALIDADEPortuguesa
ALTURA180 cm
PESO 66 kg

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