#90 Henrique Martins – O maestro da orquestra leceira

Em Leça da Palmeira, a temporada 2021/22, apesar de ainda ter muita competição por disputar, tão cedo já não sairá da memória dos adeptos. O Leça Futebol Clube, para além de liderar a Série C do Campeonato de Portugal, com os mesmos pontos do Salgueiros, tem feito correr tinta na Taça de Portugal ao ser tomba-gigantes como já ninguém era há uma década no futebol português, eliminando uma equipa pertencente a um escalão quatro vezes superior. Os primo-divisionários Arouca e Gil Vicente já caíram perante a formação leceira, decidida a continuar a “fazer Taça” à moda tradicional.

A Oportunidade desta semana é uma opção imprescindível nas fileiras do Leça. Médio de 23 anos, Henrique Martins não se deixa deslumbrar pelos feitos já conquistados, que considera serem “recompensas por todo o trabalho realizado”, preferindo continuar a acreditar que, com base na união, o clube tem todas as condições para subir à Liga 3 e ainda “ir o mais longe possível” na prova-rainha.

Desenhos animados para quê, quando existe futebol?

Natural de Vila Nova de Gaia, o “bichinho” de Henrique pela bola já vem desde criança. O médio conta que, já na infância, apenas os programas desportivos lhe interessavam. Em acréscimo, a sua família também não estranhava o futebol de forma alguma, com o seu tio Basílio Almeida, ex-jogador que representou clubes como Salgueiros, Vitória SC e Santa Clara, a afirmar-se como um exemplo para o jovem. “Sempre tive uma grande admiração por ele e pelo o que fazia em campo.”, admite.

A formação de Henrique Martins começou no Coimbrões e haveria ainda de passar pelo Boavista, clube que apadrinhou a sua estreia a sénior pela equipa B, na primeira divisão distrital da AF Porto, em 2017/18. O médio relembra que, nessa altura, passou por todas as posições do eixo do campo e que a aptidão de “proteger bem a bola” era a sua grande arma para se destacar dos demais jovens. No momento de atuar pelos bês da Pantera, Henrique desfrutou de uma utilização regular, participando em 26 jogos de uma caminhada que ficaria à beira dos lugares de subida, com o Boavista B a fechar a época no terceiro lugar da tabela, com menos um ponto do que o Valadares Gaia e menos dois do que o campeão distrital… o Leça FC.

No ano seguinte, o seu segundo a sénior, Henrique continuou a beneficiar do estatuto da equipa para somar minutos e evoluir: “Era uma equipa B e tinha obrigação de formar jogadores e dar minutos aos atletas mais jovens, o que permitiu uma melhor transição”.

A época, apesar de ter sido idêntica a nível de minutos, voltou a desapontar em termos classificativos, com o Boavista a ficar na quarta posição, atrás do Padroense, Valadares Gaia e Canelas 2010. Sobre o que terá faltado para levar os jovens do Bessa ao Campeonato de Portugal, Henrique considera que a “inexperiência” e a vontade de “jogar bonito ao invés de procurar a vitória” em certos jogos terão sido os principais culpados disso. A época 2019/20, marcou o primeiro empréstimo da carreira do médio de, na altura, 21 anos, rumo ao Arouca, que militava no Campeonato de Portugal.

A transição de uma equipa B para A(rouca)

A subida a um patamar mais exigente, assim como a habituação a um clube cujas ambições passavam pelo regresso às competições profissionais levaram a que os minutos de Henrique em campo sofressem um golpe, quando comparado aos seus números pela equipa secundária axadrezada. Chamado a jogo por oito vezes na época, Henrique englobou um conjunto arouquense que terminou na liderança da Série B do CPP e ascendeu à Segunda Liga.

“Foi um período que joguei menos, o que me permitiu desenvolver resiliência, motivação e perseverança para acreditar sempre que a oportunidade vai surgir. Se pudesse voltar atrás, voltava ao Arouca, sem dúvida”, vinca.

Na época seguinte, a anterior, iniciou-se a ligação de Henrique Martins com o Leça, um emblema que descreve como sendo um clube histórico, com adeptos que sentem a camisola e com muito potencial para crescer. Tudo começou com um novo empréstimo do médio pelo Arouca, onde também o tempo em campo não lhe foi dado de forma instantânea. “Tínhamos um meio-campo muito forte, a minha chegada tardia ao clube e os resultados sempre positivos da equipa não permitiam grandes mudanças no 11”, admite o médio. Como tinha (e tem) acontecido em todas as épocas até agora na sua carreira, Henrique voltou a fazer parte de um plantel que terminou no topo da classificação e que, ainda por cima, garantiu desportivamente a subida à Liga 3 na fase a eliminar, juntamente com São João de Ver. Numa época que deveria ter culminado com a subida de divisão, o pior cenário possível haveria de estragar a festa leceira. A Federação Portuguesa de Futebol chumbou a inscrição do clube na Liga 3 devido a uma dívida fiscal e substituiu-o pela AD Sanjoanense para choque dos jogadores do Leça. “Ficámos muito desiludidos com a decisão da FPF, sentimos que todo o nosso trabalho foi em vão”, recorda Henrique.

Um início de época que tem dado que falar

Ultrapassado o desânimo e de esperanças renovadas, a nova época marcou o adeus definitivo do médio ao Arouca e a continuação em Leça. Em termos de jogos, Henrique tem mais dois jogos do que o total da temporada passada, onde jogou em 10 encontros. O primeiro golo com a camisola leceira ainda está por vir, mas em termos de contribuição para a equipa, não há quem tenha argumentos para apontar ao atleta. Totalista nas escolhas do técnico Luís Pinto, Henrique Martins sente que está a afirmar-se tanto no clube como no Campeonato de Portugal e que as alegrias que já atravessou são “recompensas do trabalho realizado” até agora. Sobre as ambições deste ano, não tem dúvidas em assumir o objetivo de ver o Leça na Liga 3. “O nosso objetivo é fazer o melhor todos os dias. E acredito que se assim o fizermos, vamos subir de certeza”, declara.

Sobre o percurso notável na Taça de Portugal, Henrique foi um dos responsáveis pela eliminação surpresa do Arouca nas grandes penalidades (2-1 após empate a um no tempo regulamentar) e, na fase seguinte, pela vitória por 1-0 diante do Gil Vicente que garantiu a presença do Leça nos oitavos de final da prova, onde vão defrontar a outra grande surpresa deste ano, o USC Paredes. Segundo o médio de 23 anos, a fórmula secreta desses jogos passou por algo tão simples como a “união deste grupo e o trabalho realizado pela equipa técnica e pelos jogadores” e, quanto a metas a atingir, o jogador não traça mínimos. “Queremos chegar o mais longe possível”, anuncia.

Clube favorito fora de Portugal?

Não tenho.
1

Uma referência na tua posição?

Marcelo Brozovic.
2

Melhor equipa que enfrentaste esta época?

Arouca.
3

Algo ou alguém com que não conseguias viver sem?

Família e amigos.
4

O Henrique é um jogador de estatura mediana, intenso, diferenciado na relação com bola e com qualidade de passe acima da média.

Tecnicamente é um jogador evoluído, com boa visão e leitura do jogo e com chegada a zonas de finalização.

Um médio que não tem medo de assumir o jogo e que com bola impõem um ritmo de jogo elevado.

A nível tático é um atleta que percebe os momentos do jogo, consegue recuperar muitas bolas em zonas intermédias do campo e tem facilidade em sair com bola controlada das zonas de pressão, sendo um elemento de ligação entre os momentos defensivo e ofensivo.

Defensivamente é um jogador que, pelo facto de reagir rápido à perda, cria situações de superioridade em zonas mais avançadas do terreno de jogo. No decorrer da época tem evoluído neste momento, sendo cada vez mais consistente e eficaz.

É um jogador jovem e que certamente vai chegar a outros patamares competitivos.

NOMEHenrique Manuel Neiva de Almeida Martins
DATA DE NASCIMENTO14/01/1998
POSIÇÃOMC/MO
PÉ DOMINANTEDireito
EQUIPALeça FC
NACIONALIDADEPortuguesa
ALTURA178 cm
PESO70 kg
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1 thought on “#90 Henrique Martins – O maestro da orquestra leceira

  1. Bom jogador, um maestro, capaz de jogar e fazer jogar, desejo-lhe toda a sorte do mundo pela sua vontade de vencer, humildade, simpatia e espírito de equipe. Boa sorte sobrinho.

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