#49 Diogo Almeida – Um labor alvinegro que promete dar frutos

* Trabalho de Bruno Silveira e Rita Mateus

Na Oportunidade 49 fomos conhecer o número 1 da baliza da Associação Desportiva Sanjoanense. Falamos de Diogo Almeida, guarda-redes com forte tradição familiar no futebol, que com 29 anos vai alimentando o sonho de chegar aos palcos profissionais.

Um objetivo pertinente se tivermos em conta as últimas épocas de Diogo. Desde 2014 que está no Campeonato de Portugal e é figura presente a defender as balizas nas equipas onde passa. As épocas no Gafanha, Cesarense e Sanjoanense são prova viva da qualidade deste guarda-redes que soma 181 jogos nesta divisão e que tem sido um dos expoentes para a boa época da sua Sanjoanense.

Uma família ligada ao futebol

É apropriado salientar que Diogo não tinha muito por onde escolher e o próprio frisa que nasceu “no meio do futebol”.  O pai, Ivo Almeida, e o avô foram guarda-redes e ainda hoje continuam ligados a este desporto. Ivo é fisioterapeuta na UD Oliveirense e o avô faz reabilitação de atletas. Já o padrinho, avançado com uma boa carreira, foi a primeira influência para Diogo.

“No inicio da formação era ponta de lança, desejo que tinha por ver os jogos do meu padrinho. Nos infantis, o meu treinador perguntou-me se não queria seguir as pegadas do meu pai e do meu avô e foi aí que tudo começou”, começa por explicar a 100 Oportunidades.

Diogo já soma 13 anos na Sanjoanense

Com uma formação completamente dedicada à AD Sanjoanense, o guardião alvinegro entra em 2002 para os infantis do clube e só sai em 2010 para o seu primeiro ano de sénior no SC Esmoriz. Ao lado de um Rui Sacramento, que três anos depois viria a estar na Primeira Liga, Diogo aprendeu com os melhores no inicio da sua carreira e sente-se grato pelo que o futebol já lhe deu.

Do Esmoriz, parte com sete jogos e continua na Segunda Divisão B com as cores do SC Gondomar. Foram dois anos sem grandes oportunidades em que teve de “ouvir, aprender e trabalhar”.

Um conselho do próprio Diogo para quem quer seguir as pisadas do futebol como guarda-redes e que seguiu com regra e esquadro.

A paixão alvinegra

“Um clube especial, com uma mística transmitida desde os escalões mais jovens que proporciona um sentimento difícil de explicar” é a forma mais acertada que Diogo encontra para classificar a Sanjoanense.

Fez lá a sua formação e é também no emblema de São João da Madeira que vira a página e agarra a titularidade no clube da sua terra para não mais a largar.

Fazer com que a Sanjoanense estivesse no meio dos grandes do futebol português era tão lindo, seria a maior conquista da minha carreira

19 jogos e promoção garantida para o Campeonato de Portugal com 80 pontos. A partir daí soma temporadas consecutivas nesta divisão, quatro das quais pelo emblema alvinegro.

“A palavra Sanjoanense traz-me muitos sentimentos. Sinto a mística do clube de uma forma muito intensa, não só pelos seus pergaminhos, mas também pela história da cidade, que se ligam na perfeição. Aqui sinto-me em casa e é um motivo de orgulho e alegria representar o clube e a cidade, tendo a oportunidade de defender estas cores”, assume.

Um “monstro adormecido” que desde essa subida tem-se mantido no Campeonato de Portugal com épocas seguras e longe dos lugares de perigo. Esta temporada, os alvinegros seguem na 5ª posição com 23 pontos, lugar que dá acesso à Terceira Liga, a nova competição que será uma ponte entre a Segunda Liga e o Campeonato de Portugal.

Questionado sobre uma possível promoção à Segunda Liga com a equipa do seu coração, Diogo mostrou-se nostálgico, explicando que seria o “replicar da história de há uns anos atrás”.

“Fazer com que a Sanjoanense estivesse no meio dos grandes do futebol português era tão lindo, seria a maior conquista da minha carreira. Possível é sempre. Temos um plantel com muita garra e qualidade, agora temos perfeita noção que é muito difícil”, atira.

Esta temporada, Diogo, que entra no relvado sempre de pé direito e benze-se três vezes, soma 17 jogos e concedeu 11 golos, figurando na equipa da Semana do Campeonato de Portugal por três ocasiões.

Passagem de testemunho

Com 29 anos, Diogo Almeida ainda tem muito para dar ao futebol, mas tal não impossibilita que comece a deixar os seus conhecimentos aos jovens que no futuro vão despontar nos campeonatos portugueses.

Durante o dia é técnico de secretariado num escritório de advogados, no final da tarde e inicio da noite é treinador de guarda-redes da formação sanjoanina e tem a companhia do seu irmão mais novo no plantel sénior da Sanjoanense.

Em que posição? Sim, acertaram. João Almeida também é guarda-redes e tal como o irmão fez toda a sua formação na Sanjoanense. Com 19 anos, enfrenta o seu primeiro ano de sénior e Diogo não lhe poupa elogios, admitindo um “enorme orgulho” por representarem ambos o clube do coração.

Os irmãos Almeida em destaque no Canal 11

“Se me dissessem há 10 anos atrás que ia trabalhar com ele não acreditava. É um menino com potencial que está num ano complicado. É a transição da formação para o futebol sénior, um contexto onde as oportunidades são escassas. Quando não jogamos temos de pensar que continuamos a trabalhar para nós e acreditar que a nossa oportunidade vai aparecer”, disse.

Um duelo de irmãos em que Diogo Almeida vai levando a melhor, com naturalidade, mas que permite a João crescer dia após dia com o seu irmão mais velho.

Uma crença sem fim

João Almeida é um jogador que encaixa perfeitamente nas nossas Oportunidades. Vários anos consecutivos no maior campeonato de Portugal. Várias temporadas com provas dadas da sua qualidade, mas tal ainda não chegou para despertar o interesse das equipas dos campeonatos profissionais. Um “sonho que ainda não se realizou”, mas que Diogo procura ano após ano concretizar.

“Tenho esse desejo dentro de mim e ainda não parei de sonhar. Trabalhei e trabalho muito para evoluir e melhorar os pequenos detalhes para ser mais completo. Pela minha idade e sendo guarda-redes sinto que posso continuar acreditar que um dia serei profissional de futebol”, assume.

Já enquanto jogador e membro da equipa alvinegra, o guarda-redes confessa que odeia “perder” e não lida “bem com a derrota”. Dentro do balneário tenta passar esta mensagem positiva para formar um conjunto de “homens e ter aquele espirito de grupo que ganha jogos”.

É “ambicioso” e quer sempre o melhor para ele e para quem luta com ele. Enquanto guarda-redes sente que a posição não é tão valorizada como devia ser e fechamos a sua história com perfil do que deve ser a postura de um guarda-redes.

“Temos de ser loucos e apaixonados pelo que fazemos! Temos de meter as mãos onde os jogadores vão com os pés”, conclui numa forma apaixonada pelo que faz e pelo desporto a que se dedica desde tenra idade.

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