#1 Thomas Militão – Quando o amor fala mais alto

Nasceu nos arredores de Paris, em França, mas foi nas Caldas da Rainha que encontrou um amor para a vida. Filho de emigrantes, Thomas Militão veio para Portugal aos seis anos de idade e não mais largou esta cidade. Com nove anos entrou para as escolinhas do Caldas Sport Club, equipa que representa até aos dias de hoje. Talvez inspirado pelas suas raízes, o preto e branco são as suas cores por natureza, levando já 19 anos de amor ao emblema pelicano. Enquanto jogador considera-se um “central rápido e bom no desarme” e esta época já leva três golos, a melhor em toda a sua carreira.

Com 28 anos feitos esta semana, Militão recorda que no início “o pai foi o grande impulsionador” para a sua entrada no mundo do futebol, algo que lhe permite, neste momento, “escrever uma história tão bonita” no Caldas SC. Apesar de não fechar as portas a uma eventual oportunidade nas ligas profissionais, o central admite que “os anos vão passando e as ideias vão mudando”, tendo como sonho “ser o jogador com mais jogos ao serviço do Caldas”. O capitão caldense admite que “já apareceram propostas tentadoras, mas todas de clubes do Campeonato de Portugal”, acrescentando que “não faz sentido sair de um dos melhores clubes do campeonato para ir para outro da mesma divisão”.

“Foi um amor à primeira vista. Os anos vão passando, eu vou continuando no Caldas e o sentimento vai sendo cada vez maior”

A história entre Militão e o Caldas SC começou em 2001 e aparenta não terminar tão cedo. A relação saudável entre jogador e clube, assim como as muitas amizades que aqui nasceram, tornam possível o enlace que para o central foi “quase um amor à primeira vista”. “Os anos vão passando, eu vou continuando no Caldas e o sentimento vai sendo cada vez maior”, confessou ao 100 oportunidades.

Thomas Militão entrou para o clube com nove anos

Questionado sobre o seu futuro no clube, Thomas Militão gostaria “de continuar ligado ao mundo do futebol”. Fazendo uma retrospectiva, sente que deve muito ao emblema das Caldas da Rainha e espera poder retribuir ainda mais nos próximos anos. “Foi o clube que me deu tudo e muito da pessoa que sou hoje devo ao Caldas e à minha família. Tenho 28 anos, quase 19 são aqui. Nunca vou conseguir retribuir tudo o que o Caldas fez por mim e por isso gostava de continuar aqui para ajudar”, reiterou.

Apesar de já fazer parte do lote de capitães desde 2015, só este ano Militão agarrou a braçadeira, sentindo-se “um símbolo do clube”, mas respeitando “sempre os outros jogadores que já fizeram grandes carreiras aqui”. “Eu e o Simões nunca jogámos noutro clube. O Caldas não é só Militão ou o Simões. Quando nós acabarmos a carreira o Caldas vai continuar”, referindo-se a André Simões, jogador que também tem 19 anos no clube.

O sonho da subida

Com bastante estabilidade nos últimos anos, o Caldas tem-se mantido no Campeonato de Portugal e em 2014/2015 esteve muito perto da promoção. Ficou em primeiro da sua série (F), mas cedeu na mini-liga o que permitiu ao Mafra regressar aos escalões profissionais.

Este ano e apesar de ser um “clube amador” nestas lides, o Caldas SC é 3º classificado da série C no Campeonato de Portugal. Com 33 pontos, os mesmos que Fátima (2º) e Benfica e Castelo Branco (4º), a equipa sonha com um lugar no play-off de promoção. Para Militão, os pelicanos não têm “as armas dos outros clubes, uma vez que a grande maioria dessas equipas já são profissionais e têm mais condições para chegar à 2ª Liga”.

“Trabalhamos de dia e treinamos à noite. Já fiz jardinagem, fui auxiliar no Hospital e agora estou num negócio familiar. Nunca fui profissional de futebol”

O sonho de um dia subir é alimentado todas as noites nas Caldas da Rainha. Durante os últimos anos, Thomas Militão garante que nunca conseguiu ser “profissional de futebol”, conjugando a sua paixão com outros trabalhos. “Já fiz jardinagem, fui auxiliar no Hospital e agora estou num negócio familiar. Trabalhamos de dia e treinamos à noite. Já tive épocas em que não trabalhava, mas não era profissional, porque recebia-se pouco”.

Thomas Militão nos juniores do Caldas SC

Um feito com peripécias

Ao amor de anos ao clube, Militão junta um feito que perdura nos dias que correm. São 117 jogos seguidos sem falhar um único minuto o que que equivale a 10.470 minutos sem parar. Esta proeza, que já foi notícia a nível nacional, tem alguns segredos e promete durar mais uns valentes jogos. Apesar de ser um clube amador, há aspectos profissionais na preparação das partidas que permitem à equipa estudar “muito  bem o adversário e abordar os lances da melhor maneira”, evitando ações disciplinares severas. Também a nível físico, as “lesões têm sido menores e não me têm impedido de jogar e ajudar a equipa”, frisa.

Um record que não seria possível sem uma história bastante curiosa. Na altura da meia-final da Taça de Portugal, com o CD Aves, Thomas Militão e outros companheiros foram salvaguardados de uma deslocação aos Açores para o campeonato, no entanto o avião teve um ligeiro percalço e acabou por voltar a Portugal. “Durante a viagem um raio atingiu o avião e o jogo foi adiado. No fundo, esse raio ajudou-me a não perder esse jogo e conseguir ter neste momento esta sequela de partidas consecutivas”, admitiu em tom positivo, mas lembrando que “alguns dos colegas ainda têm medo de andar  de avião por causa desse raio”.

O melhor e o pior momento da sua carreira

Um momento que Thomas Militão nunca vai esquecer é a famosa meia-final da Taça de Portugal. Há dois anos atrás, o Caldas surpreendeu o país e quase chegou ao Jamor. Pelo caminho derrotou o Cesarense, o Arouca, a Académica e o Farense, cedendo apenas para a equipa que viria a erguer o troféu, o CD Aves. O central pelicano recorda os dois jogos decisivos como “um momento único, impagável e bonito de se viver”, assumindo que foi “o melhor momento da sua carreira”.

Pelo lado mais negativo, recorda o seu primeiro ano como sénior. Após fazer a formação no clube, Thomas Militão estreou-se pelos seniores a cinco de fevereiro de 2012. Fez 90 minutos e levou um cartão amarelo, numa época que acabaria por ditar a descida do clube à extinta 3ª divisão. Para o capitão do Caldas, este foi “o pior momento da sua carreira”, algo que o marcou bastante. A verdade é que no ano seguinte o clube acabou por subir e desde então se mantém no mesmo escalão.

Foto de destaque por João Rico

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