“Rubrica da Liga 3” com Rúben Rendeiro

Esta semana decidimos continuar a destacar a juventude e a irreverência presente nesta nova competição.

Rúben Rendeiro, guarda-redes do União de Santarém fez na jornada 4, frente ao Amora FC, uma exibição monumental que permitiu à equipa arrancar uma vitória importante e sonhar com a permanência na Liga 3, algo que acabou por não acontecer, após empate caseiro, este fim-de-semana, com o Cova da Piedade.

“Foi um jogo muito importante, era fundamental ganharmos, e graças a Deus correu tudo bem. Em vez de falar individualmente, tenho de destacar a exibição de todos enquanto equipa. É um trabalho diário onde todos temos dado o nosso melhor, e o resultado só aconteceu porque trabalhamos todos juntos para alcançar a vitória. Quanto a mim, apenas me limitei a fazer o meu trabalho, e sou grato por isso!”

A paixão pela baliza surge no sítio onde o futebol é mais puro – no futebol de rua.

“Cresci num bairro, e a jogar na rua percebi que até era bom na baliza. Comecei a jogar na equipa de futsal da minha escola (a guarda-redes) e foi aí que ganhei a paixão pela baliza e me fui destacando. Na minha família, o meu tio paterno, e o meu avô materno foram guarda-redes.”

O trajeto no mundo do futebol teve o seu início no Atlético CP, onde confessa que “não sabia nada sobre gestos técnicos, posicionamentos ou táticas, a única coisa que eu sabia é que queria muito ser guarda-redes.”

Conta com passagens pelo CAC, onde foi capitão de equipa e alinhou muitas das vezes em escalões superiores ao seu. Por estar a jogar o Campeonato Nacional de Iniciados, surgem os primeiros contactos de outros clubes, no caso o Vitória SC.

Em Guimarães tem, ainda com tenra idade, a primeira experiência longe do lar, e é onde fica ciente que o trabalho e a qualidade técnica não chegam para se ser jogador de futebol.

“Tinha 16 anos na altura e não tinha noção do desafio que era estar tão longe de casa. Foi no Vitória SC que percebi o verdadeiro significado de ser jogador de futebol. A adaptação foi difícil, numa cidade nova, um clube com uma exigência completamente diferente da que estava habituado. Foi um ano, onde por um lado, sou eternamente grato pelo Homem e jogador que me tornou, mas por outro, foi onde tive a noção de que no futebol não é só talento e trabalho.”

Sedento de minutos que o Vitória não lhe havia dado, segue no ano seguinte para o vizinho Moreirense, onde afirma ter voltado a desfrutar do futebol. Amealhou minutos e muita experiência, visto que com apenas 17 anos foi chamado aos trabalhos da equipa principal. Os cónegos deram-lhe ainda, por duas vezes, a oportunidade de ser suplente em jogos da Primeira Liga, que foi o ponto alto da sua passagem pelo clube.

Em 2019/20, dá as primeiras pisadas no futebol sénior, pelo Mirandela. Esta foi uma época que classifica como “agridoce”, pois fez apenas uma partida e quando ganhou o seu espaço e iria voltar a jogar, começou a pandemia. Esta falta de minutos leva-o a abraçar um novo desafio, e desta vez mais perto de casa, no Cova da Piedade.

Sendo-lhe equacionada uma integração na equipa principal, tal acaba por não acontecer devido a “más gestões administrativas dentro do clube.” Acaba por dividir a sua utilização entre a equipa B e os sub 23, que atuavam na Liga Revelação.

Esta época chega à nova Liga 3 pela mão do União de Santarém. O facto de ser um clube bem organizado e com uma estrutura forte e competirem neste “campeonato extremamente competitivo” fizeram o guarda-redes de 22 anos aceitar o desafio.

Esta tem sido, apesar dos apenas quatro jogos realizados, uma época importante para si, pois afirma que tem vindo a ganhar muita experiência e maturidade.

“Ser guarda-redes é isto mesmo, trabalhar no máximo todos os dias, ter fé, e esperar a nossa vez para agarrar a nossa oportunidade, e é isso que tem acontecido comigo. Até agora são quatro jogos, mas vêm de muito foco, de muito trabalho e de muita perseverança, onde tenho dado tudo de mim. Assim será sempre.”

Estando a ser difícil adquirir estabilidade no futebol sénior, promete não desistir, mostrando ser uma pessoa de fortes convicções e de que as lições que aprende são para a vida – a qualidade e o trabalho não chegam para ter sucesso.

“O meu objetivo é chegar ao patamar mais elevado no futebol e jogar nos melhores campeonatos. É para isso que luto e trabalho todos os dias, sou uma pessoa de muita fé e com a ajuda de Deus vou lá chegar. Sei que no momento certo esse dia vai chegar, até lá continuo a dar o melhor de mim em todas as oportunidades que tenho, sempre focado e repleto de fé por mais e melhor.”

Crente na religião e nas suas capacidades, promete não virar a cara à luta.

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