#74 Óscar Barros – Lateral moderno a tempo do “salto”

Parece que os laterais estão na moda e voltamos a destacar um defesa lateral na nossa Oportunidade. Esta é a vez de Óscar Barros. O defesa direito prepara-se para começar a segunda época ao serviço do Sport Clube Vila Real, onde deu nas vistas durante a temporada passada.

Este pode ser o ano da ascensão aos campeonatos profissionais, para um jogador que fez formação em quatro clubes históricos do futebol português.

Formação de “luxo” e a chamada à seleção

Óscar Barros começou a jogar no Paços de Ferreira (de onde é natural), ainda em futebol de sete. A proximidade à zona metropolitana do Porto, aliada às qualidades que ia demonstrando, levaram-no para o Boavista e dois anos volvidos mudou-se para o Leixões. Dos vários clubes por onde passou traz boas memórias, mas foi em Matosinhos que passou mais tempo.

“No Leixões passei cinco anos da minha vida. Tive ainda o privilégio de ser capitão. “Um bebé do mar”, literalmente, como éramos apelidados”, recorda.

Ao serviço do Leixões, foi chamado à Seleção Nacional de sub-15, algo marcante para qualquer jogador. Seguiu-se o Rio Ave, emblema onde cumpriu três temporadas e terminou o processo de formação, com a “cereja no topo no bolo”.

“No Rio Ave, com contrato de formação, realizei três jogos pela equipa sénior. Tinha 17 anos, ou seja, ainda era júnior de primeiro ano.”

Porém. nem tudo foram rosas. No final dessa temporada, uma lesão grave atrapalhou a sua evolução.

“Em 2015, aproximadamente, no fim de época, fraturei a tíbia e o perónio. Esta lesão teve uma recuperação de oito meses. Esse seria o meu último ano de júnior e devido à minha longa paragem, não chegamos a acordo”, lamenta.

MOMENTO

Estreia como sénior


“O momento mais marcante da minha carreira foi, sem sombra de dúvidas, a minha estreia no Rio Ave, enquanto sénior. Eu tinha apenas 17 anos, foi um marco importante. Foi no Estádio Cidade de Coimbra, frente à Académica, e é um momento que nunca mais esquecerei. A minha estreia nos sub-15 da Seleção também foi algo único.”

Estreia no Campeonato de Portugal

Com o passar dos anos, é cada vez mais notória a aposta nos jovens no Campeonato de Portugal. E por consequência, a juventude também vê neste campeonato o contexto ideal para evoluir. Em 2016/17, Óscar estreava-se no CD Cinfães. Fez 33 jogos e a equipa terminou em 2º lugar na sua série. Melhor montra que esta era difícil.

“Encontrei o que todos anseiam. Jogar no primeiro ano de sénior. Depois da minha paragem, devido à lesão, a minha vontade era jogar novamente. Preparei-me para isso, aproveitei a oportunidade dada pelo treinador, aproveitei a pré-época e fiz o meu melhor”, disse.

Dar um passo atrás, para poder dar dois à frente

Em 2017/18, ruma à AR São Martinho, onde faz apenas cinco partidas, fazendo a segunda metade da época no AC Marinhense, onde termina como titular com 15 partidas realizadas. Uma época menos consistente que levou o jovem a rumar à Divisão de Elite da AF Porto. O SC Freamunde abriu-lhe as portas e terminaram o campeonato em 3º lugar. O lateral reitera ainda a importância do projeto.

“Jogar na distrital foi uma opção minha. Apresentaram-me um projeto credível. O treinador, que na altura era o Pedro Barroso, teve um papel importante e motivou-me imenso para que ingressasse na equipa. Depois as coisas acabaram por fluir.”

E estabelece um termo de comparação entre as duas competições seniores em que mais participou:

“Em termos comparativos, não há grande diferença entre a Distrital e o CP, no que toca a infraestruturas. No jogo corrido, sente-se alguma diferença”, assume.

Estabilidade, rodagem e futuro

Nos últimos quatro anos, Óscar representou seis clubes diferentes. São Martinho, Marinhense, Freamunde, Vitória de Sernache, Sobrado, até chegar aos Lobos do Marão. A estabilidade é habitualmente uma das chaves do sucesso. Porém, o jogador de 24 anos apresenta uma perspetiva interessante sobre o tema.

“Não se trata de falta de estabilidade. Muitas das vezes, a troca de clubes parte da decisão do jogador, como já aconteceu comigo. São avaliadas várias vertentes e, por vezes, o melhor é rodar, adquirir experiência e canalizar prática.”

Em maio, Óscar foi apontado a vários clubes de Segunda Liga. Ainda não foi desta, mas o sonho mantém-se firme.

“Devido às boas prestações que tive na época passada, desde cedo começaram as abordagens. Houve realmente uma situação concreta de uma equipa das ligas profissionais, que por vários motivos, não se concretizou. Quanto ao salto, tenho trabalhado para que isso seja possível e o que mais projeto é que chegue a minha oportunidade de me mostrar e fazer valer todos estes anos de dedicação”, frisa.

Vila Real: O “eu” e o “nós”

Está prestes a começar a temporada e o Vila Real integra a Série B do Campeonato de Portugal. O objetivo da equipa passa por somar o máximo de pontos possíveis e para Óscar, ajudar a equipa é sinónimo de ajudá-lo a ele mesmo.

“Os meus objetivos pessoais começam por ajudar a equipa, dentro dos objetivos gerais do próprio clube. Fazer uma boa época, mostrando o meu trabalho e o que tenho para dar no mundo do futebol. Quem sabe, não será este, o ano do “salto””.

Trata-se de olhar para cima, com os pés no chão:

“Sinto que estou onde tenho de estar. O Vila Real recebeu-me de braços abertos, já na passada época. O mesmo aconteceu agora, e como estamos ambos satisfeitos, o caminho é só um e vamos trabalhar em prol disso mesmo.”

Facto curioso

O Campeonato de Portugal ainda não faz parte das ditas competições profissionais. Contudo, Óscar consegue viver exclusivamente do futebol.

“Sou jogador profissional e dedico a maior parte dos meus dias ao futebol.”

Mas para finalizar, deixa uma curiosidade, entre risos:

“Sempre que posso, auxilio no negócio da família, no ramo da fotografia. Passo desde já a publicidade, Foto Óscar”.

Perguntas rápidas

Lateral Moderno. Defender ou atacar?

Atacar, sempre!
1

Jogadores mais dificeis de enfrentar em 2020/21

Zé Domingos e Bruno Almeida.
2

Equipa mais complicada na temporada passada?

CD Trofense.
3

Cidades: Paços de Ferreira ou Vila Real?

Paços de Ferreira.
4

O Óscar é um lateral ágil, rápido e com baixo centro de gravidade, o que lhe permite ter um melhor controlo de bola e facilidade na condução.

É um atleta consistente a nível defensivo, sendo agressivo e intenso na pressão ao portador da bola.

É rápido na reação à perda, forte nos duelos individuais e com critério na saída das zonas de pressão, quer com bola quer sem bola controlada.

É um jogador que se envolve no processo ofensivo da sua equipa, cria linhas de passe e tem qualidade na definição a nível do passe e cruzamento. Não é um atleta que arrisca demasiado, joga em fácil e é objetivo nas suas ações.

Com a qualidade demonstrada no decorrer da época transata poderemos ver o Óscar a afirmar-se cada vez mais no nosso campeonato.

NOMEÓscar Filipe Machado Barros
DATA DE NASCIMENTO16/06/1997
POSIÇÃOLD
PÉ DOMINANTEDireito
EQUIPASC Vila Real
NACIONALIDADEPortuguesa
ALTURA171 cm
PESO69 kg

Partilha com os teus amigos:

Outros artigos do autor

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.