“Rubrica da Liga 3” com Martim Maia

Detentor do prémio de melhor jogador da competição no mês de fevereiro, o destaque a Martim Maia – médio do Amora FC – era inevitável, devido aos agradáveis momentos que proporciona aos adeptos semana após semana.

Este prémio foi, para o jogador, uma motivação extra para continuar a trabalhar com grande afinco, afirmando a 100 Oportunidades que “foi importante para mim porque confirma que o trabalho tem sido bem feito e que tenho sido regular durante a época. Saber que foram os meus colegas de trabalho a votarem em mim ainda torna o prémio mais bonito, porque é sinal que também apreciam o meu futebol e que tenho dado nas vistas.”

Aquando da sua saída da natação, Martim entra no mundo do futebol pela porta do FC Porto. No entanto, fez apenas uma época nos dragões e no ano seguinte juntou-se ao Leixões SC, por ser “um clube com boa fama na formação e por ficar perto de casa”. Após seis anos no clube de Matosinhos, em 2015/16 viaja até Vila do Conde para alinhar pelo Rio Ave – onde concluiu a formação.

Fazendo um retrocesso por todos estes anos, o médio nascido na Maia julga que todas as decisões que tomou na sua formação foram corretas e no momento certo, com a sorte de adquirir várias habilidades nos clubes por onde passou.

No FC Porto, destaca a mentalidade vencedora e o desejo pela vitória que lhes é incutida desde pequenos, algo que valoriza pois pensa ser fundamental para a formação do jogador e para a sua atitude em treinos e jogos; no Leixões refere a importância que o clube teve na sua formação como jogador e como homem, afirmando que aquela é uma casa que muito estima; e no Rio Ave pensa ter chegado na altura certa dado o crescimento do clube, conseguindo ingressar no mundo do futebol profissional.

Como referido, é em Vila do Conde que sente pela primeira vez a exigência do futebol sénior – na equipa B do clube – e confessa que a adaptação não foi fácil, “foi um ano de difícil adaptação porque nenhum de nós estava habituado ao futebol distrital, ainda éramos uns meninos e muitas vezes perdíamos porque queríamos jogar “bonito” e não dava, porque no corpo a corpo perdíamos muitos lances o que comprometia o nosso jogo. Mas também foi um ano bastante positivo porque deu para evoluir e perceber o que teria de fazer para poder jogar num nível superior.”

No ano seguinte tem uma temporada de enorme sucesso na equipa de sub 23 onde destaca a qualidade do grupo, pois pensa ser mais fácil adquirir uma maior visibilidade e praticar um futebol mais atrativo quando o grupo é bastante competitivo e dono de uma grande qualidade individual.

Apesar destas duas épocas de qualidade nos B´s e nos sub 23 e de ter treinado muitas vezes com a equipa principal, Martim não teve oportunidade de se cimentar no plantel principal do clube, algo que para ele é de fácil explicação, “é verdade que não tive nenhuma oportunidade mas também aceito e compreendo porque o Rio Ave nesses anos tinha uma excelente equipa com jogadores muito mais experientes e com bastante qualidade. Nessa altura, também acredito que a integração dos jogadores da formação não fosse uma aposta muito forte, ao contrário dos dias de hoje.”

Em 2019, sai pela primeira vez da sua zona de conforto, e é emprestado pelo Rio Ave ao Casa Pia. Em Pina Manique teve “uma experiência muito boa que infelizmente não consegui aproveitar ao máximo devido ao Covid. Foi nesse ano que tudo começou, o que não me permitiu fazer mais jogos e crescer ainda mais.” Contudo, a época no seu teor coletivo não foi fácil, com o clube a acabar na última posição.

Quando questionado sobre a forma como um jovem que estava habituado a alinhar em equipas que venciam a maioria dos seus jogos lida com estes contratempos, Martim responde que “é difícil quando estamos habituados a ganhar e depois no ano a seguir nos vemos numa situação em que temos de lutar para não descer e qualquer ponto pode fazer a diferença. Mas acho que isso também me fez crescer e ver o futebol de outra perspetiva.”

O ano passado entende que, embora quisesse fazer parte do plantel do Rio Ave, não iria ter o seu espaço, e por isso decide dar um novo rumo à carreira. Junta-se ao Sosnowiec – clube da Segunda Liga Polaca – graças a Fábio Ribeiro (analista e observador da equipa) e mesmo ciente do desafio decide aceitar, confessando também o peso que a parte financeira tem nestes momentos.

Esta experiência seria algo que Martim repetiria sem qualquer dúvida, pois testemunha ter crescido imenso como homem e como pessoa neste ano onde esteve longe da família. Esta distância dos “seus” não foi fácil e destaca a importância do Gonçalo Gregório e do João Oliveira (seus colegas de equipa) pela experiência e por terem sido um suporte para ele.

Este ano, regressa a Portugal, pois no ano transato com a mudança de treinador havia perdido o seu espaço, e com a continuidade do mesmo esta temporada, soube que não contava para ele. Rescindido o contrato, diz ao agente que quer voltar ao seu país e surge a oportunidade do Amora, e após uma conversa com o mister Bruno Dias, acerca do interesse que tinha em fazer parte do projeto, decide aceitar e revela não estar arrependido.

A nível individual está a realizar uma grande época com 2 golos e 2 assistências em 18 jogos. “A nível individual tem corrido muito bem mas também se deve muito àquilo que temos feito coletivamente. Não tivemos o desfecho que queríamos por um ponto, mas temos feito uma época muito boa. Tenho-me sentido importante na equipa, sinto que as pessoas gostam de mim e isso tudo faz com que possa dar o meu melhor dentro de campo, e automaticamente a minha qualidade sobressair. Realçar também a exigência e a confiança que o mister Sandro tem depositado em mim.”

Com um enorme potencial e uma grande qualidade demonstrada, refere estar concentrado na Liga 3 e em ajudar o Amora a alcançar os seus objetivos, contudo não esconde o desejo de chegar à Primeira Liga, “neste momento estou na Liga 3, mas um dos meus objetivos é sem dúvida chegar à Primeira Liga. Não estou obcecado com isso porque sei que com o trabalho que faço diariamente e com a mentalidade que tenho, a oportunidade irá surgir mais cedo ou mais tarde.”

Um jovem promissor e que certamente iremos ver em patamares mais elevados.

Partilha com os teus amigos:

Outros artigos do autor

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.