“Rubrica da Liga 3” com João Faria

No dia 25 de abril, o nosso convidado desta semana atingiu uma marca, no mínimo, surpreendente.

Com a vitória da UD Oliveirense no terreno do UD Leiria, que permitiu carimbar a promoção à 2ª Liga, João Faria, central de 31 anos, atingiu a sua terceira subida consecutiva – Vizela, Trofense e agora, Oliveirense – momento que considera ser “um marco bastante importante.”

Fez toda a sua formação no clube da cidade de onde é natural – o Gil Vicente – contudo, não teve a oportunidade de se estrear na equipa A, pois pensa ter faltado “crença da estrutura nos jogadores da casa.”

Tem assim, em 2009/10, o seu primeiro momento no futebol sénior pela mão do GD Ribeirão, onde na sua primeira época se tornou internacional sub-20 e o jogador com mais minutos. Dado o sucesso, faz mais uma época no, agora extinto, clube da AF Braga, e consegue atingir mais um marco importante: chegar à seleção sub-21 portuguesa.

Passados dois anos, em 2011/12, tem a época que afirma ter sido “a mais marcante da minha carreira”, no Varzim SC. Orientado pelo falecido Dito, fez 7 golos em 33 jogos e ganhou o seu primeiro campeonato. João considera que foi uma temporada memorável, com destaque ao apoio dado pelos adeptos em qualquer estádio e por todos os ensinamentos que recebeu do mister Dito, que confessa ainda hoje usar esses “pequenos truques”.

Com tamanho destaque que teve, surge uma oportunidade inesperada – o SL Benfica.

Neste ano de regresso das equipas B, teve uma difícil adaptação a uma realidade superior, e fez apenas 1 jogo pela equipa B dos encarnados. Com a falta de minutos, decide que o melhor para a sua carreira é abraçar outro desafio, e assina pelo Salamanca, pela experiência que podia obter de jogar no estrangeiro, e pela dimensão do clube.

A nível profissional foi uma vivência não muito agradável, pois fez poucos jogos, e devido aos problemas financeiros do clube, esteve quatro meses sem receber um cêntimo.

“A experiência não foi muito boa a nível profissional, pois fiz poucos jogos e por todos os problemas financeiros que o clube ultrapassou. Estive de fevereiro a julho sem receber um cêntimo do clube. Cheguei a ser despejado da casa onde estava por não ter dinheiro para pagar a renda. A nível pessoal foi enriquecedor por tudo o que passei ajudou-me a crescer a nível mental.”

Regressa a Portugal e ao Ribeirão, com o objetivo de pôr, novamente, o seu nome na montra. Todavia, aquela que se esperava uma época de sucesso, transformou-se num “calvário” para o jogador.

Em setembro faz a sua primeira rotura de ligamentos, e fica sem jogar durante seis meses; depois de recuperado, no seu segundo jogo, volta a fazer outra rotura de ligamentos, e recorda à equipa do 100 Oportunidades uma viagem de Ribeirão a Barcelos, onde foi o caminho todo a chorar e a pensar que o melhor seria deixar o futebol. Mas ganhou forças e foi à luta, e passados nove meses regressa à competição, porém umas semanas tem uma rotura muscular, findando assim esta época, bastante complicada.

Depois de duas épocas onde fez poucos minutos, tinha apenas dois clubes interessados nos seus serviços – a AD Limianos e o Vilaverdense. O primeiro era treinado pelo mister Carlos Cunha, seu treinador no Ribeirão, e demonstrava bastante interesse em poder contar com ele. No entanto, confessa ter sido uma das decisões mais difíceis da carreira, pois de um lado tinha um treinador que o queria a todo o custo, mas onde jogaria num relvado sintético, e que seria de difícil adaptação depois das duas operações; e do outro, pessoas e um clube “desconhecido”, mas com relvado natural.

Decide então assinar pelo Vilaverdense, e verifica-se uma boa opção, pois volta a ter muitos minutos e golos, voltando assim ao seu melhor futebol.

Nos dois anos seguintes joga pelo Merelinense e pelo Famalicão, respetivamente. Foram duas temporadas especiais, mas por motivos diferentes. Na primeira, esteve perto de atingir uma subida histórica com o Merelinense, e em Famalicão tem a oportunidade de voltar a trabalhar com o mister Dito, algo que afirma ter sido muito gratificante para si.

Informado pelo Famalicão que não faria parte das contas para a época seguinte, Eduardo Oliveira – diretor desportivo do Vizela – que já havia trabalhado com o jogador no Vilaverdense e no Merelinense, convence-o a aceitar a proposta do Vizela.

Faz uma primeira época bastante regular, mas o destaque vai para o ano seguinte, onde com o mister Álvaro Pacheco consegue atingir a subida para a 2ª Liga. Foi um ano que apesar de ter sido interrompido devido à pandemia, considera ter sido bastante enriquecedor, destacando a paixão que o mister impunha em todos os momentos de treino e do jogo, considerando que era “o clique que me faltava.”

Na época passada e apesar da subida, ficou pelo Campeonato de Portugal – no CD Trofense. Consegue a sua segunda subida consecutiva, mas conta-nos também ter sido uma época bastante complicada, devido à SAD que estava a ser criada no clube, e que os obrigou a começar quase do zero, o que fez com que a subida de divisão, e o título do CP se tornassem ainda mais importantes.

Este ano, continuou na Trofa e começou a época a titular, até se lesionar no jogo da Taça de Portugal frente ao Benfica. Entretanto o clube mudou de treinador e foi informado em janeiro que iria ter poucas oportunidades, e após uma conversa onde demonstrou o seu desagrado e a vontade de ter minutos, decide sair e assina pela UD Oliveirense.

Esta segunda metade da época está a ser de enorme sucesso a nível individual e coletivo, confessando ter “escolhido o caminho certo.” João não quer pensar no futuro e afirma estar apenas concentrado em levantar “o caneco” no Jamor.

Um central com veia goleadora que tem sido um talismã nos clubes por onde passa. Quem quer arriscar-se a subir à Segunda Liga?

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