“Rubrica da Liga 3” com Gonçalo Gregório

A rubrica desta semana é sinónima de golos, dado que o nosso convidado é nem mais nem menos que o melhor marcador da Liga 3: Gonçalo Gregório (recorda aqui a sua entrevista em 2020).

Os primeiros passos foram dados no histórico “Os Belenenses” onde não consegue “destacar as memórias mais felizes, pois passei lá a minha infância toda e vivi momentos muito bons.”

No seu último ano de formação segue para o Vitória FC devido a um forte interesse dos sadinos que foi correspondido com 25 golos por parte de Gonçalo, que fez com que os responsáveis vitorianos quisessem contar com os seus serviços para a equipa sénior, algo que não aconteceu devido ao facto da equipa do Restelo não ter abdicado da sua carta de formação. Quando chegou à idade sénior assinou por três anos com o clube de Belém.

O primeiro ano de sénior é feito com as cores do GD Loures – emprestado pelo Belenenses – e apesar dos golos marcados, confessa ter sido “uma época muito difícil, a transição sem equipas B e sub 23 como há agora era complicada.”

Em 2014/15 e 2015/16 faz duas época por empréstimo no Casa Pia, somando 15 golos e chamando à atenção do Leixões.

Na época seguinte desvincula-se então do clube do Restelo, pois “nunca fui valorizado por eles, fiz épocas muito boas e nem era acompanhado, nem tinha a hipótese de fazer pré-épocas.”

A passagem pelo Leixões dura apenas meia época, mas considera ter sido importantíssima para o seu crescimento pessoal, pois foi a primeira vez longe de casa. Aquando da entrada de uma nova estrutura, esta decide mandar embora todos os jogadores que haviam chegado com o antigo treinador, e Gonçalo é emprestado ao Farense, onde conclui a época.

A época de 2017/18 é iniciada com o emblema da UD Vilafranquense, no entanto as coisas não estavam a correr como esperado. “Com 21/22 anos estava a fazer poucos jogos e poucos golos. Eu queria jogar, pois sabia que se assim fosse ia ter rendimento. Eu fazia quatro jogos a titular e depois nos outros quatro era suplente, e apesar de respeitar sempre todas as decisões eu queria jogar.”

Regressa então ao Casa Pia. É ali que termina a temporada e que inicia a seguinte sob as ordens de Rúben Amorim, onde destaca a sua evolução a nível físico e fez, em meia época, 25 golos em 22 jogos. Um excelente registo que lhe permitiu dar o salto para a Primeira Liga, mais propriamente para a capital do Móvel.

“Fui para o Paços mais por necessidade deles. Eu estava bem e o Luiz Phellype tinha acabado de sair para o Sporting e eles precisavam de um substituto. Sabia que eles tinham lá outro ponta-de-lança, no entanto a estrutura disse-me que tinham um projeto contínuo para mim, e ofereceram-me 3 anos e meio de contrato, onde este meio ano seria para me ambientar e começar a crescer.”

Faz ainda 8 jogos, no entanto estes minutos eram dados, maioritariamente, quando a partida já estava decidida “e para um avançado jogar apenas nessas alturas não se consegue destacar, ou entramos para defender ou para gerir o resultado. No ano seguinte, nem sequer me deram a oportunidade de fazer a pré-época, o que achei bastante injusto. Nunca me deram oportunidade nem apostaram em mim.”

Em 2019/20, o presidente do SC Braga – António Salvador – liga ao seu agente demonstrando interesse em contar com ele, e caso fizesse uma boa época na equipa B, iria acabar por chegar à equipa principal.

O ano desportivo acabou por ser interrompido devido à pandemia, mas Gonçalo terminou ainda com o invejável registo de 19 golos em apenas 24 jogos, mas a oportunidade na equipa A acabou por não surgir.

O ano passado teve a primeira aventura no estrangeiro – no Sosnowiec, da Polónia.

“Foi um dos anos mais difíceis da minha vida pois lidei com uma entorse grave, com o problema do covid, com o inverno mais complicado dos últimos 10 ou 15 anos na Polónia, sempre sozinho. Não foi fácil mas acabei por me adaptar muito bem. Tinha mais 2 anos de contrato mas eu decidi sair, porque queria voltar a Portugal para me sentir bem. Não excluo uma nova experiência no estrangeiro, mas este ano tinha de estar em Portugal.”

Dito e feito, este ano vincula-se à UD Leiria onde “encontrei uma cidade e uma equipa que acreditou em mim.” Foram 15 golos e uma ajuda fulcral ao sucesso coletivo da equipa.

Coletivamente considera não ter corrido nada mal, e demonstra não concordar com este formato pois “não valoriza a regularidade de uma equipa. Há muita qualidade e assim sendo deveríamos promover a regularidade e a consistência que são o segredo do sucesso, não tirando mérito a quem subiu.”

Com números absolutamente excecionais, Gonçalo é um ponta-de-lança que certamente merece uma oportunidade no mais alto patamar do nosso futebol.

Partilha com os teus amigos:

Outros artigos do autor

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.