#4 Francisco Batista – Quando a desilusão te ensina a vencer

Quase lhe acabaram com o sonho, não desistiu e hoje, aos 24 anos, sente que está preparado para outros voos. Natural de Lagos, Francisco Batista, chegou a treinar com Bernardo Silva – internacional português do Manchester City – nos escalões de formação do Sport Lisboa e Benfica e é hoje um dos capitães do Clube de Futebol Esperança de Lagos.

‘Chico’, como é conhecido no mundo do futebol, iniciou a sua carreira no clube que atualmente representa antes de se mudar para o C. D. de Odiáxere, formação algarvia, próxima de Lagos. Acabou a formação no Portimonense e, no primeiro ano de sénior, representou o Grupo Desportivo Renascente S. Teotónio, da Associação de Futebol de Beja. Seguiu-se uma passagem pelo Farense, onde não assinou contrato profissional por causa dos direitos de formação. Acabou por voltar a Lagos, depois de uma breve passagem pelo Futebol Clube Castrense.

“Não assinei contrato profissional devido à rivalidade entre Portimonense e Farense”

Em conversa com o 100 oportunidades, ‘Chico’ admitiu que a desilusão por não ter assinado contrato profissional o fez contentar-se com pouco. “Quando estava no Portimonense fui dispensado, embora me tivessem dito que me iriam ajudar no futuro. Não o fizeram e, quando tive oportunidade de assinar um contrato profissional no Farense, pediram os meus direitos de formação. Acabei por não assinar e isso fez com que me desleixasse. Jogar em Lagos parecia ser o suficiente para mim, até porque queria ajudar o clube da minha cidade a subir aos nacionais”, desabafou.

Chico ajudou a sua equipa a vencer (1-0) na recepção ao 1º de Dezembro

“Só o ano passado meti na cabeça que quero e posso dar o salto”

“A desilusão que senti naquele momento mudou a minha mentalidade e sinto que hoje quero e posso dar o salto. Este ano, tive a certeza que estou preparado para isso”. Com seis golos em 16 jogos esta temporada, o extremo intitula-se como um jogador “rápido, forte nos duelos individuais e com um bom remate” e pretende de ajudar o Esperança de Lagos a assegurar a manutenção. A nível individual quer “ultrapassar a barreira dos dez golos”, confessou ao 100 oportunidades.

Na sua, ainda, curta carreira, ‘Chico’ conta já com uma passagem de mês e meio pelo Seixal, onde treinou no Sport Lisboa e Benfica, no ano de 2013. Para além da experiência internacional que viveu, teve a oportunidade de treinar com Bernardo Silva.  “Defrontei e treinei com jogadores muito bons mas sem dúvida que destaco o Bernardo Silva. Era diferenciado, via-se logo que era jogador”, realçou.

“A minha mãe, a minha irmã e o meu cunhado sempre me acompanharam”

Apesar de todas estas experiências, o jovem algarvio não esquece as suas origens e quem lhe incutiu o gosto pelo futebol. “ A minha paixão por esta modalidade veio da rua. Passava horas a jogar com a malta do bairro até ter fome ou até as nossas mães nos chamarem. Mas foi a minha irmã e o meu cunhado que me levaram a treinar ao Esperança de Lagos. Desde aí sempre me acompanharam, tiveram comigo em tudo o que precisava  e, tal como a minha mãe, ainda hoje não falham um jogo meu”.

Pablo Aimar como referência
O extremo de 24 anos que tem o ex-internacional argentino Pablo Aimar como a sua grande referência, teve já oportunidades de dar o salto, mas não achou o momento certo. “Todos os anos tinha propostas para sair para o campeonato nacional mas as condições que me davam nunca foram as que precisava para sair. Ainda assim, arrependo-me apenas uma vez de não ter aceite uma proposta para ir para a 2ª liga, mas talvez tenha sido o melhor, porque nessa fase ainda não estava preparado mentalmente”, concluiu.

Francisco Batista não se despediu sem antes aproveitar para criticar o atual formato do Campeonato de Portugal. “Sinceramente acho ridículo para todas as equipas do Campeonato. As que sobem do distrital andam uma época a lutar pela subida ao nacional e levam com um campeonato onde descem 5 equipas. As que andam a lutar pela subida à segunda divisão durante toda a época podem perder tudo em apenas um jogo. É injusto. Penso que o melhor seria haver quatro divisões nacionais”, rematou.

Fotos de Márcio Silva

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