“Rubrica da Liga 3” com Fausto Lourenço

Autor de dois importantes golos que permitiram ao Anadia assegurar a sua segunda presença na Liga 3, o veterano Fausto Lourenço é o destaque da última jornada da fase final de manutenção.

“Esta segunda fase é terrível. Ficámos num grupo muito forte e foi tudo decidido na última jornada. Foi muito especial poder ter ajudado a equipa no jogo que foi e da forma que foi, já no ano passado quando subimos à Liga 3 fiz um hat-trick frente ao Beira-Mar no dia em que nasceu o meu filho”, começa por dizer.

A sua formação no futebol começa no Mirandense – clube da cidade de onde é natural. Passado um ano continua o seu trajeto na Académica, até surgir um desafio inesperado – o FC Porto. Para Fausto foi uma experiência incrível, considerando que teve a oportunidade de estar no topo a nível do treino, dos colegas e dos treinadores. “Longe de mim pensar que o FC Porto iria olhar para um miúdo de Miranda do Corvo que ainda há 2/3 anos jogava nos jardins com os amigos.”

Se a chegada ao FC Porto é já por si inesperada, nesse mesmo ano é convocado para participar no Euro Sub-17, algo que afirma ter sido um momento memorável, e onde teve a oportunidade de enfrentar jogadores como Ben Arfa, Fábregas e Karim Benzema. É também, nesse ano, o melhor marcador a nível de seleções com 8 golos.

Regressa à briosa ainda em idade de júnior e tem a oportunidade de ser convocado para cinco jogos da equipa A, embora não tenha realizado qualquer minuto. Esta foi uma época que julga, apesar da falta de jogo, ter sido bastante importante: teve a oportunidade de conviver com jogadores e um treinador bastante experientes e de qualidade, considerando ainda assim que a aposta nos jovens devia ter sido feita com mais afinco.

Emprestado pela Académica tem a sua primeira experiência no futebol sénior no Tourizense e na temporada seguinte no Anadia. “Costumo dizer que há uma formação até ao último ano de júnior e outra que começa a partir dos seniores. Quando chegas aos seniores tens muitas desilusões, deixa de haver um carinho especial por ti, e passas a ser mais um que está ali para trabalhar. Ponderei no verão entre o Tourizense e o Anadia deixar de jogar porque o futebol não era o que eu pensava. Apesar da sociedade em geral não ver assim, é uma profissão como as outras que nos priva de muita coisa.”

Com 11 golos nestas duas primeiras épocas dá o salto para a 1ª Liga Búlgara com apenas 22 anos – para o Lokomotiv Mezdra.

Afirmando, sem qualquer rodeio, que as questões monetárias pesaram na sua decisão, sentiu que era o melhor rumo a dar à carreira, contudo após os exames médicos informam-no que precisava de ser operado, o que atrasou o início da sua preparação. Foi uma experiência com um início conturbado, não obstante realizou ainda 15 jogos pela equipa búlgara.

Ainda jovem, e após esta experiência na Bulgária continua o seu trajeto no estrangeiro, e nas duas temporadas posteriores atua no Onisilos (Chipre) e no Neuchâtel Xamax (Suíça), respetivamente. Apesar de terem sido três excelentes experiências, Fausto destaca o ano onde teve a oportunidade de jogar na Primeira Divisão Suíça. “É um país de primeiro mundo a todos os níveis. Se nas outras épocas aprendi muito, nesta da Suíça aprendi o dobro, pois são todos muito profissionais. Tentei desfrutar ao máximo, e o facto de ter colegas de equipa portugueses deram-me um apoio enorme e foi um ano absolutamente fantástico.”

Em 2012, dá-se o regresso a Portugal pela mão do Leixões, convite que decidiu aceitar pois “é muito complicado estar tanto tempo longe da família e dos amigos.” No entanto, depois de uma boa época a todos os níveis em Matosinhos, depara-se com mais uma proposta bastante aliciante do estrangeiro, e assim, na época seguinte, segue para o Atyrau do Cazaquistão.

Em 2013/14, retornou a solo luso para o CD Tondela. No jogo de estreia foi expulso, algo que, para Fausto, complicou a sua afirmação nos beirões. Devido a mudanças de treinador e ao facto de estar menos feliz, o mister Ricardo Chéu convida-o para a sua equipa, e em janeiro vincula-se assim a um rival – o Ac. Viseu: “Gostei bastante de estar em ambos os clubes, são dois clubes com pessoas fantásticas.”

Na temporada seguinte fica livre no mercado e surge o Freamunde. Na altura a militar na Segunda Liga, realiza três anos e meio fantásticos a nível individual, e nos dois primeiros perto de subir à Primeira Liga, “construímos grupos fantásticos e foram anos que certamente nos valorizaram, gostei bastante de trabalhar com o mister Filó. Sem grandes orçamentos, jogávamos olhos nos olhos com todas as equipas.” No terceiro ano foi uma época de maior insucesso onde “se tentou dar um passo maior que a perna, mas a culpa é de todos porque estávamos todos no mesmo barco.” No entanto, faz um balanço positivo desta passagem, “apeguei-me ao clube e às pessoas, tenho lá amigos do futebol e fora dele. Adoro aquele clube e aquelas pessoas.”

Após estes anos de sucesso em Freamunde, tem passagens por Vilaverdense, Merelinense e Gondomar até chegar ao Anadia. No somatório destas três épocas fez 16 golos e um par de excelentes exibições.

No ano 2020/21 dá-se o regresso a Anadia. “O Anadia é um clube especial para mim, foi onde dei os primeiros passos no futebol sénior, e regressei já numa fase mais avançada da carreira, mas pronto para continuar a dar o melhor de mim.”

Promessa feita, promessa cumprida. São 14 golos e 5 assistências que ajudam o clube a carimbar o acesso à 1ª edição da Liga 3.

Esta época, finda o ano como o jogador mais utilizado da equipa e faz 11 golos numa “competição extremamente competitiva.” No entanto considera que este foi um ano muito difícil pela situação classificativa e pelas mudanças de treinador, mas este foi um grupo que nunca se negou ao trabalho. Tenho um orgulho enorme neste grupo que trabalhou sempre no máximo mesmo com algumas condicionantes. Foi um ano de enorme resiliência de todos.”

Com os 35 anos de idade e com curso tirado em Ciências do Desporto, confessa que o treino e todos os aspetos à volta do jogador têm evoluído bastante, o que faz com que “me sinta muito bem a jogar. Não me sinto mais cansado agora do que quando tinha 25 anos. Antes dos treinos faço também o meu trabalho de ginásio para me sentir bem e para fazer bem ao meu corpo. Tento levar as coisas muito a sério, e sou bastante exigente comigo mesmo.”

Sejam mais 2, 3 ou 4 anos, Fausto Lourenço é um jogador que nos promete continuar a dar show e a ser um exemplo de resiliência e de muita dedicação.

Partilha com os teus amigos:

Outros artigos do autor

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.