“Rubrica da Liga 3” com Duarte Duarte

A equipa do 100 Oportunidades decidiu destacar esta semana a experiência e o facto de que a idade no futebol é cada vez mais apenas um número.

Duarte Duarte, futebolista da UD Oliveirense, amealha 6 golos e 1 assistência em 27 jogos, o que demonstra que os 34 anos continuam sem pesar.

Com formação dividida entre o clube da terra – Vilaverdense – e o SC Braga, Duarte fez apenas um ano em Vila Verde e chamou a atenção dos responsáveis minhotos. Em Braga, jogou durante quatro anos mas “acabei por sair na altura por ser demasiado franzino. Felizmente, a forma como se vê o futebol de formação evoluiu nesse sentido, e apesar de ter ficado bastante desanimado com essa mudança acabei por ter a sorte de poder continuar a evoluir.”

Regressa ao Vilaverdense ainda júnior e faz a sua estreia como sénior na época 2005/06 na antiga II Divisão B. Em 2008/09, conciliava o futebol com a faculdade e fez uma época de enorme sucesso individual e coletivo, e fruto disso, um companheiro de equipa – Rui Gama – disse-lhe que “tens qualidade a mais para estar neste nível. Vou chamar uma pessoa ligada à Gestifute, que já me representou, para te ver jogar. Assim foi, num jogo decisivo esse agente veio observar-me e nesse dia fiz um grande jogo, marquei dois golos e subimos de divisão. Assinei então pela Gestifute e posteriormente pelo Gil Vicente.”

Chega a um Gil Vicente recém-despromovido devido ao “Caso Mateus”, e que manteve um vasto número de jogadores do ano anterior na Primeira Liga. Fruto deste plantel de enorme qualidade e de uma subida brusca de três divisões, realiza a pré-época mas acaba por ser emprestado ao Vilaverdense. Na época seguinte regressa a Barcelos, e o treinador era “o mister Rui Quinta, um treinador que me ajudou muito, com quem evolui bastante e que apostou em mim.” Todavia, o azar bate-lhe à porta, e sofre um problema físico gravíssimo e que o obriga a inúmeras operações. Após a mudança de treinador acaba por saber que teria de procurar outro clube através da comunicação social.

No ano seguinte, segue-se o Varzim, clube que lhe deu a alegria de voltar a jogar futebol. “Diria que foi um ano perfeito. Recuperei a alegria de jogar futebol e fizemos uma grande época a todos os níveis. Éramos orientados por um ser humano fantástico e um treinador acima da média, o falecido Dito.”

Depois de 11 golos marcados que contribuíram para o assegurar da subida de divisão do Varzim, despertou o interesse de vários clubes da Primeira Liga e de um clube búlgaro. Conjuntamente com o seu empresário decidem que o Benfica é a melhor opção, mesmo que fosse numa perspetiva de ser emprestado a outros clubes da Primeira Liga, contudo, após assinar um contrato de 4 anos quando já tinha 25 primaveras, sai uma lei que proíbe os empréstimos entre clubes da mesma divisão, e por isso faz a primeira metade da época no Benfica B, onde se sentia “desenquadrado” do projeto das equipas B – dar minutos aos jovens jogadores.

Em Janeiro de 2013 essa lei é revertida e surge o interesse do Paços de Ferreira. Os castores eram nessa temporada a equipa sensação, e a equipa de Paulo Fonseca praticava um futebol muito atrativo, motivos que convenceram Duarte Duarte a aceitar o empréstimo.

Nessa semana de treinos sofre uma entorse grave no tornozelo, mas decide ir na mesma para Paços de Ferreira para terminar a recuperação. Porém, o que se previa ser uma entorse veio-se confirmar uma fratura total do tornozelo, o que impediu o jogador de realizar qualquer treino com a nova equipa. É operado no fim dessa temporada, e a meio da época seguinte estreia-se na Primeira Liga pela mão do mister Carlos Calisto.

Assim que o mercado reabre, o clube decide que o melhor para ele é ser emprestado à UD Oliveirense. “Na Oliveirense não me sentia ainda no auge das minhas capacidades físicas e mentais e acabei por jogar com regularidade apenas na reta final da época” – confessa.

Depois destas épocas mais “atribuladas” surge a oportunidade de rumar a Angola. Pelo facto de ter um irmão a viver em Luanda e de os últimos anos não lhe terem corrido de feição, toma aquela que diz ser “a decisão mais arriscada, mas também a mais correta que tomei durante a minha carreira.”

Em Angola, defende durante dois anos as cores do Petro de Luanda, e joga ainda mais uma época pelo Interclube. Duarte afirma ter sido uma experiência incrível e que não descarta o regresso ao futebol angolano. “Adorei viver em Luanda, as pessoas conheciam-me na rua e sempre fui muito bem tratado. Cresci bastante como jogador e como pessoa durante os anos em que estive naquele país maravilhoso.”

Nos três anos que viveu em Angola vivia-se uma crise devido à petrodependência do país, o que levava os clubes a terem cada vez mais dificuldades a cumprir os pagamentos. A juntar a isto, com os seus 30 anos pensa ser a altura correta para regressar ao futebol português, e regressa ao Campeonato de Portugal – através do CD Trofense.

Na Trofa faz uma época de um elevado nível exibicional e confessa que na altura esperava convites de clubes de divisões superiores mas que “ouvi muitas vezes a conversa de que já tinha ultrapassado a barreira dos 30 anos.”

Tendo ao longo dos anos mudado a sua visão sobre o futebol, atualmente não tem qualquer problema em procurar novos desafios se não se sentir feliz ou o clube não cumpra com os compromissos, e depois do Trofense conta ainda com passagens por Felgueiras, Espinho, e um regresso a Vila Verde na época transata.

Este ano recebe o convite da UD Oliveirense, e não hesita em aceitar. “É uma divisão nova e tinha curiosidade, por isso queria fazer parte desta liga. Já tinha uma expectativa grande, mas foi superada em larga escala. Está a ser de facto uma estreia em grande para todos. Estou muito feliz por ter regressado a este grande clube, onde fui e continuo a ser bem tratado.”

Individual e coletivamente, o grupo de trabalho está a realizar uma época de grande nível que culminou no assegurar da vaga na fase de subida. Afirmando ser um dos grupos mais unidos que já apanhou, tem como objetivos a subida de divisão e poder ajudar os colegas com a qualidade que pode dar ao jogo e com a sua experiência, devido a ser o mais velho do plantel.

“Apesar de haver colegas de equipa que parecem bem mais velhos do que eu, não deixo de ter 34 anos. Quase todos os colegas de equipa que não me conheciam, ficam admirados quando digo a minha idade.

A verdade é que nem eu me apercebo disso, e acho que o principal segredo está em ter a mais paixão e alegria em jogar futebol todos os dias, do que quando tinha 25 anos.

Talvez por estar a perceber que o final da carreira está cada vez mais próximo, tente desfrutar cada vez mais.

Neste momento, o meu objetivo individual passa por contrariar a ideia que os jogadores com mais de 30 anos deixam de ter capacidade para jogar num nível elevado. Grande parte dos clubes em Portugal, acabam por colocar a perspetiva do negócio à frente do sucesso desportivo.”

34 anos de uma regularidade e qualidade invejáveis.

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