Displicência e desgaste sentenciam Fafe

Taça de Portugal – Oitavos-de-final
14 de Janeiro de 2021 – 14:00

2-3*
(AP)

CRÓNICA

Debaixo de um céu limpo e de um sol que abrilhantou o cenário, a AD Fafe e o B SAD encontraram-se para disputar os oitavos-de-final da Taça de Portugal. O Fafe vinha de uma vitória modesta no campeonato, já a B SAD não vence na Primeira Liga há quatro jogos. A equipa da casa chegou a esta partida com algumas baixas, quatro por casos positivos de Covid, um castigado e outro lesionado.

A primeira parte foi bastante positiva para os justiceiros. Jogando em 4-3-3 nos processos ofensivos, mas defendendo em 4-4-2, juntando-se o médio Luís Neves ao avançado Paulinho, o Fafe foi superior e soube tirar ao adversário a vantagem que teoricamente trazia.

Logo aos dois minutos, o guarda-redes Danny Carvalho esticou o jogo para a ala direita, Paulinho passa pelo defesa da B SAD, entrou na grande área e cruzou rasteiro para o segundo poste onde Ferrinho, com via livre para a baliza, atrapalhou-se e não marcou um golo cantado. O Fafe procurava jogar aberto para evitar o trânsito no meio do campo. O sistema tático que Petit prioriza, o 3-4-3, torna o jogo interior complicado para o adversário, mas o trabalho de casa foi bem feito pelo treinador Ricardo Silva.

A B SAD aproveitou o facto de ter três centrais para dar mais liberdade aos dois médios, Bruno Ramires e Afonso Taira. Assim, os azuis atacaram sempre com mais gente. Apesar disso, o Fafe tinha atrás dessa linha de médios do adversário o avançado Paulinho que, numa função de pivô, conseguiu ajudar os homens da casa no contra-ataque rápido. A velocidade de Jorginho e de Ferrinho foi muito requisitada.

Aos 12′, a B SAD teve a melhor oportunidade da primeira parte. Ataque pela esquerda, a bola entra na zona central e Bruno Ramires, na entrada da área, remata para o meio da baliza. Pouco colocado, permitiu uma defesa fácil. Os homens de Petit tentaram forçar o seu jogo pelo seu lado esquerdo, aproveitando a qualidade ofensiva de Rúben Lima, mas aos 19 minutos, saiu o tiro pela culatra. O Fafe voltou a esticar o jogo pelo lado direito, a aproveitar o facto de Rúben Lima estar mal posicionado, sai um cruzamento adiantado para a grande área que Paulinho não conseguiu finalizar, mas Ferrinho, que estava à espera do ressalto, não perdoou e fez um golo merecido, depois de um início de jogo bastante interessante dos justiceiros.

Após o golo concedido, Petit fartou-se da linha de três centrais e colocou em campo um ponta de lança para jogar de costas para a baliza e ganhar no duelo físico à defesa do Fafe. Se não tiver força no ataque, de pouco vale defender com três centrais. Os azuis continuaram a tentar jogar pelas alas, como é costume, mas o Fafe abriu a equipa e aumentou a agressividade. O facto de o meio campo chegar-se mais atrás para ajudar a defender facilitou a tarefa. Antes do intervalo, Cassierra ainda colocou a bola na baliza, depois de um livre batido para o centro da área, mas o vídeo-arbitro anulou o golo e ainda houve tempo para mais um golo da equipa da casa.

Bruno Ramires, na disputa da bola aérea, amortiza a bola com o braço dentro da grande área. O lance passou despercebido, sendo o VAR a chamar a atenção de Iancu Vasilica que, ao rever as imagens, desfez as dúvidas e assinalou grande penalidade. Luís Neves não tremeu e colocou bem a bola no fundo da baliza. O Fafe foi para o intervalo na frente do marcador de forma merecedora.

Na segunda metade, a B SAD tentou assumir os remos do jogo, mas foi o Fafe que criou perigo. Paulinho tinha a bola à entrada da área, levantou a cabeça e abriu o jogo para a ala direita, Miguel Carreira cruzou para Jorginho que, de frente para a baliza, rematou frouxo, mas com perigo. Mérito de Guilherme Oliveira que impediu com categoria o 3-0.

Aos 50 minutos de jogo, o primeiro ataque da B SAD. A bola voou da direita para a esquerda e chegou a Chico Teixeira que tentou surpreender e fez mira ao ângulo inferior esquerdo. Passou perto, mas Danny também estava atento. Um minuto depois, novo ataque da B SAD, com Cauê a cruzar da esquerda para Tiago Esgaio que cabeceou já em desequilíbrio, sendo fácil o encaixe de Danny. Boa jogada da B SAD, a aproveitar quando tinha a bola no ataque para tentar criar perigo.

Aos 56′, novamente perigo a rondar a baliza do Fafe. Bola longa para Cassierra, que fintou Danny perto da entrada da área, mas já descaído para o lado esquerdo e sem ângulo, desperdiçou uma oportunidade de diminuir a desvantagem.

A REVIRAVOLTA DOS AZUIS

A segunda parte mostrou-se complicada para o Fafe, que esteve mais tempo a defender. Alguns jogadores mostraram cansaço e tentaram aguentar a pedalada do adversário de Primeira Liga.

Ao minuto 88, depois de tanto insistir, a B SAD arranjou forma de marcar um golo. Cassierra tentou ganhar a bola a Danny que, de forma displicente, entrou de carrinho ao adversário. Prince também tem culpa, mas Danny aborda o lance da pior forma, sem necessidade.

Grande penalidade convertida por Miguel Cardoso, quando parecia que a baliza do Fafe iria terminar o jogo intacta. Quando menos se esperava, nova grande penalidade para a B SAD e novamente Danny a ficar muito mal na fotografia. Tentou disputar duas bolas no ar, mas foi agressivo demais e acabou por fazer falta.

Miguel Cardoso acabou por empatar a partida contra todas as expectativas. O Fafe com certeza não desejava ir para lá dos 90 minutos pela condição física da equipa, isto depois de estar de forma confortável na frente do marcador.

No prolongamento, o Fafe deu seguimento ao jogo que fez no tempo regulamentar. A organização defensiva foi decisiva para complicar o trabalho da B SAD. As oportunidades dividiram-se entre as duas equipas, mas o desgaste ditou que o jogo se jogasse mais no centro do campo. Na segunda parte do prolongamento, a B SAD rondou a baliza adversária várias vezes, mas pouco fez para marcar.

Calhou ser em cima do final, quando se preparava o desempate por grandes penalidades, que a B SAD marcou o golo da vitória. Cruzamento do lado direito, Edi Semedo não se faz ao lance que é mal cortado por Prince, a bola sobra para Chico Teixeira ao segundo poste que rematou para desfazer o empate. Depois de ser decisivo na última eliminatória, frente ao Sporting de Espinho, hoje voltou a decidir a partida.

Mérito para Ricardo Silva, que estudou o adversário e soube fazer com que a B SAD não jogasse com toda a sua qualidade. Infelicidade para o Fafe que viu o seu jogo perder qualidade devido ao cansaço e acabou por conceder dois golos evitáveis que deram o empate ao adversário. Apesar da vitória, um dia para esquecer para a B SAD que, apesar de dar a volta ao marcador, não conseguiu jogar como previa. Calha aos azuis o passe para os quartos-de-final. O Benfica é o próximo adversário.


Apontamentos da AD Fafe:

  • A lição foi bem estudada. A superioridade no meio campo, o jogo esticado para as alas quando os laterais da B SAD não estavam bem posicionados e as marcações individuais aos avançados dos azuis que impediram que a defesa esticasse o jogo, foram os pontos chave para que o Fafe conseguisse anular o adversário;
  • Estilo muito interessante, num sistema de 4-3-3 que permitiu jogar de forma fluída e rápida;
  • A má condição física da equipa acabou por sentenciar o jogo do Fafe, que abrandou o ritmo e deixou a B SAD jogar à vontade.

Destaque da AD Fafe

RÚBEN MARQUES

O motor do Fafe. Sabíamos que tinha muita qualidade e ainda conseguiu surpreender. Ativo em todo o campo, ajudou nos momentos defensivos e lançou o ataque com passes para as costas da defesa adversária. Deu muita qualidade técnica ao meio campo da equipa e merece o destaque.


Apontamentos do B SAD:

  • A passagem do 3-4-3 para o 4-3-3 melhorou o jogo da equipa, aumentando a presença no ataque e dando outro caudal ofensivo à equipa, mesmo que os golos não tenham aparecido;
  • Nem individualmente nem coletivamente a B SAD conseguiu-se destacar perante um adversário teoricamente inferior. As substituições deram velocidade ao jogo, mas de pouco serviram;
  • Fora as grandes penalidades, a B SAD não conseguiu criar perigos de maior à defensiva justiceira.

Destaque da B SAD

MIGUEL CARDOSO

Entre os azuis, foi o menos mau. Andou meio desaparecido, mas tentou a sorte em bolas paradas. Marcou os dois golos de grande penalidade que salvaram a sua equipa, pouco mais fez, mas serviu para se destacar numa equipa incapaz de sobressair

Fotografia Principal: Miguel Carreira

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